3UI01
SEGREDOS
■ARTES :
LIBERAES, E MECANICÁS.
recopilados, e traduzidos de VA r -H
RIOS AUTKORE5 SELECTOS, QUE TR Ar TaÕ DE FÍSICA, PINTURA, ARQUITE- CTURA , ÓPTICA , QUÍMICA, DOURA¬ DURA, E ACHAROADO, COM OUTRAS VARIAS CURIOSIDADES PROVEITO¬ SAS, E DIVERTIDAS.
SEU AUTHOR
D. BERNARDO DE MONTONf, Vertido de Castelhano cm Portugttez.
PARTE SEGUNDA.
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:• ÁLV LISBOA,.-
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Com Licença da Meza do, Desembar-
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Vende-se em casa do Editor F. B. 0. de M.Mc* y y Ç fa •
chás , n^Lergo do Coes de SodréyN.) . A.
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SEGREDOS
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ARTES
LIBERAES, EMECANICAS.
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I.
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Modo de criar as aranhas , para ter muito capulho.
Farás huns cominhos de papei, e dentro lhes porás as aranhas, e to¬ dos estes cominhos dentro de huraas talhas tapadas com papel , que te- v nj,)a Viuitcs buracos , como os de¬ vem ter os cominhos , para que atra- - vesse & ar j dá-lhe moscas a comer, e dal li a algum tempo , verás que estas aranhas daõ seu capulho. Cos- tumao estas aranhas dar mais seda , que os bichos , á proporçjõ da sua ligeireza ; esta he a prova. Doze ca-
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( 4)
ças daó quazi quatro onças de se¬ da 'limpa , e fermosa ; para fazer hum par de meias de enrolar des¬ ta seda , só se requerem duas onças e huma quarta : e para hum par de/ luvas , perto de trés quartas de on¬ ça ; sendo que as meias ordinárias pezaó , ou devem pezar sete , até outo .onqss, &ç. Naó "duvido , que corrt esta facilidade naó faltará, quem engenhoso procure seguir esta idea 3 que naó he ' imaginária , mas- sim real , e verdadeira ; por cujo meio podes adquirir as riquezas, que de- zéjas , detestando a Alquimia , e os seus sequazes, como Arte falsa, e embusteira, fundada em trabalhar, e mentir^ e ultimamente em men¬ digar.
2«
Tãrj fazer o Bismut , ou estanho de glasa de Inglaterra .
1 oim estanho, tartaro, e salitre, de cada cousa huma libra , tudo em pó» c limado * terás posta aq lume
huma panella , que na6 seja vidra¬ da , e quando estiver quente, lhe hirás lançando pouco a pouco esías drogas; e tanto que conheceres , que tudo está bem fundido, rei ás pre¬ venido hum gral de pedra , unta¬ do com sebo , e lhe lançarás dentro toda a matéria da panella , o regu¬ lo, irá ao fundo, e as escorias fi- carao em cima ; espera , que se vá esfriando, tira-o, e lava-o bem, e e terás hum Bisirut , algum tanto mais branco, que o de Inglaterra, se o estanho for fino ; porque o es¬ tanho , que gasraò em Inglaterra , he para istò mui basto, e impuro, lodos entenderão, que isto era na¬ tural , ( e lie verdade ; que o ha , e o trazem do Reino de Bohemia ; porém vemos muito pouco por cá ) oque.naõ parece ser assim , por quan¬ to esta operaçaõ dá a conhecer o contrario.
Para ter vinho , ou agoa fria no VeraÕ y sem neve
TP oma hum cubo encíie-o de agoa , e dentro lhe põe os frascos cheios de vinho , ou agoa ; logo na agoa do cubo põe hum canudo de enxo¬ fre, ou outro pedaço inteiro, sen¬ do o cubo mediano ; e este peda¬ ço te pôde durar mais de duas ho¬ ras , e o vinho sahirá, cu a agoa, corno se tivera , estado na neve. No¬ ra, que este enxofre te naõ pôde já aproveitar para isto segunda vez ; mas para os mais gastos he bom.
4-
Arte para fazer açúcar em pedra .
T - ,
ema agoa, e açúcar, o que qui¬ seres, e menea-o ao lume, até que fique em consistência de juiepe, al¬ guma cousa mais espesso; logo es¬ tando bem quente , o deita em hu-
(7 )
ma púcara vidrada , á qual primei¬ ro terás ajustado humas taboinhas ao redor; porás esta púcara em huma estufa , ou lugar, que tenha sempre hum gráo de calor, por espaço de quinze dias; tira-o depois, e dei- xa-ó gotejar, e enxugar-se. Nota, que o açúcar hade ser do refinado.
$•
Para tingir o cristal de roca , la¬ vrado , de todas as cores.
TPoma sangue de drago em graó, e o poe em infuzaõ em espirito de vinho , deixa-o algumas horas , de¬ pois lhe poe o cristal de pedra den¬ tro , no qual se faraó humas aber¬ turas , ou rendinhas imperceptiveis por todas as partes , e ficará tinto. Pódes em lugar de sangue de, dra¬ go , pôr outra qualquer cor , s-uppon- do , que o dissolves em espirito de vinho ; cuja maravilha, lie tao es¬ tranha, como proveitoza.
( 8 )
6.
Para fazer papel jaspeado , ordi¬ nário.
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orna hum caderno de papel , e ^anÇa-lhe em cima as cores, deli¬ das a teu gosto, com agoa degom- rna ? e jSSQ sem ordem ; depois do¬ bra a folha , paia que as cores se tnesclem ; e dobrando , e cerrando o Caderno faráõ as luzes , e as som¬ bras , que causará estranheza , de ver com que facilidade isto se executa , e o bem que parece. Será sempre conveniente apertar alguma cousa o caderno,, para que fique melhor,
' 7*
Pinta para pintar sobre seda > p an¬ uo de linho , e outras teas , dj C.,
I çma duas onças de litnadnras de ferro , e huma onça de galhas , fei¬ tas cm pedacinhos , poras isto em lí um quartilho de vinagre branco ,
( 9 )
muito forte ; e tudo posto em hu- ma panella ao lume , para que a hum calor lento se evapore ameía- de do licor, e deves coar o restan¬ te para o gasto. Naô seria fora de propozito acrescentar-lhe huma pou¬ ca de gomma Arabia.
8.
Agoa para dourar o ferro .
1 orna huma onça de caparroza , calcinada , até que fique branca , hu¬ ma onça de pedra hume, quatro dram- jrças de verdete , e outras quatro de sal commum ; porás todas estas dro¬ gas em huma redoma com hum quar¬ tilho de agoa , tapada , faze-o fer¬ ver até que se reduza a ametade ; logo tapa bem a redoma, para que a agoa se naò evapóre; em estando o ferro burnido , e candente , apa¬ ga-o nesta agoa, e o tirarás admi¬ ravelmente dourado. He verdadeiro.
( 10 )
9*
Para ter muita abunâancia de es¬ pargos , e grossos .
T^oma as teas de marhos, e as põe em esterco de cavaIJo por quin¬ ze dias; tira-as, e planta-as dous palmos humas das outras; e estan¬ do podres , nascerá taõ grande quan¬ tidade de espargos grossos , e sabo- rozos , que naõ haverá comida mais regalada.
io.
Para fazer tinta vermelha .
Delirás meia onça de gomma A- rabia dentro de tres onças de agoa de rozas ; e nella porás hum pouco de vermelhão, ou outra cor..
Tinta verde,
TT oma çumo de arruda , verdete , e açafraõ , rudo misturado , e moi- dor e o porás em agoa de gomma.
, N.
12.
Tinta azuL
TToma ulíamar , ou azul da Prús¬ sia , chamada Berlina , e agoa de gomma , com hum pouco de açúcar em pedra , esteja em infuzaõ em hum vazo de vidro.
*3-
Tinta amarella .
TToma açafrao, e o põe em infu- zaõ em agoa de gomma j -e está feito.
V
( 12- )
14.
Para escrever sobre pergaminho , e se borrarem as letras , quan¬ do quizermos.
Delirás polvora de canhao em a- goa iimpa , e escreve; e quando qui- zeres tirar as letras , esfrega com hum lenço , ou trapo , o escrito f e desaparecei logo.
Para ver em hum apozento escuro , 0 que passa na rua , ou na praça.
Para isto se requere, que o apu- zento esteja bem cerrado por rodas as partes , de sorte , que a luz nao possa entrar , se naô por hum bu¬ raco feito de proposito na janella, para receber os reflexos da luz , e como dizem os Filoscfos os espe- cies tios objectos de fera passáraô por este buraco , e reprezentárad es¬ tes objectos sobre hum papel bran-
co, ou algum panno de linho, pos¬ to cara a cara a huma distancia pru- dencial do buraco ; e deste modo se veraô os objectos, que passaõ , seguramente pintadas ao revéz so¬ bre o papel , ou panno de linho , cu sejaõ homens, ou animaes na rua , ou passaros , que vaõ voando. Se quizeres ver estes objecros com as suas cores naruraes , porás no bu¬ raco hum pedaço de christal espes¬ so no meio , e mais delgado nas bor¬ das ( como os que servem nos ocu- los de homens velhos ) porás o pa¬ pel , ou panno de linho defronte na distancia conhecida, a qual se lo¬ grará sem trabalho, chegando, ou apartando o papel , ou panno de li¬ nho , até que vejas as cores dos ob¬ jectos com perfeição. Por este meio se logra hum entretenimento em ver , os que passao pela rua , ou os que pass3Õ na praça , porque se podem distinguir com facilidade pela dif- ferença das cores , ou vestidos j co¬ mo também as arvores, as folhas, que aparecem com a sua cor natu-
ral em hum movimento continuo ; por cauza do ambiente , que sempre se acha agitado pelo ar : assim mes¬ mo os prados*, montes, casas de campo , ainda que estejaõ apartados , os quaes fazem huma vista agrada- vel. E ainda que todos estes objec- tos pareçaô ao revez sobre o papel r ou panno de linho , naõ deixa por isso de ser util , aos que querem aplicar-se ao estudo da pintura , ou do debuxo , porque póde recortar qualquer cousa , que lhe agradar.
16.
Arte para pezar o fumo.
Suponhamos , que hum carro de pa¬ lha pcza 300 libras , e que este se queimou \ he evidente , que tudo ira em fumo , e em cinza : se pezarmos esta cinza , será cousa natural nao hayer mais de 50 libras, pouco mais, ou menos ; e suposto, que o restan» re da matéria naõ apareceo, e toda foi em fumo , se tirarmos do total
50 libras, ficáraô afo libras eotn pouca diíFerença , as que se tem ido em fumo , e este he o pezo do fu¬ mo: e ainda que parece, que o fu¬ mo naõ péza , por estar espalhado em átomos pelo ar , aonde se sus¬ tenta , faz evidencia , que se todas estas particuías , ou átomos estives¬ sem juntos, teriaõ o mesmo pezo, que tinhaò, como quando estavaô com as cinzas.
17.
Para tomar muita abundancia de passaros gordos , e uivos: como corvos , e outros semelhantes .
Farás huns cominhos de papel ri¬ jo , que seja pardo, ou azul \ e o untarás por dentro com visco , ou cousa semelhante pegajeza ; e jun- tamenre lhes porás huns pedacinhos de carne podre para os cevar : es¬ tes porás nos campos , aonde cos- tumaõ acodir estes passaros , os quaes , querendo comer a C3rne5 me¬ terão a cabeça dentro \ c assim se
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( *« )
lhe pegará ás pennas o visco, e lhe servirá de capirote, que lhe tape a vista , estorvando-lhe os voos ; por cujo meio os pilharás com facilida¬ de vivos com as maós.
18.
- ... * y i p- '•
Para fazer tinta de oier& , sem ouro,
T oma ouro pimente , e pedra cris¬ tal» huma onça de cada cousa moe¬ rás tudo finissimamente sobre a pe¬ dra ; logo porás estes pós em cin¬ co , ou seis claras de ovos bem ba¬ tidas até que fiquem , como agoa ; misturarás tudo muito bem, e te valerá para pintar , escrever , &c.
19.
Para fazer tinta de cor de pra¬ ta , sem prata ,
Toma. estanho finíssimo, hüma on¬ ça , azougue, duas onças, mistura-
X
I
rás estes dous metaes , até que fi-, quem como unguento ; logo os moe¬ rá* com agoa de gomma i o que te aproveitará para o dito.
20.
. ' . V " '
Para imitar a raiz âa nogueira sobre todo o genero de madeira .
;tL/stando a peça trabalhada, c li- za , lhe darás seis , ou sete roaos de cola forte, até que a péça fique reluzente, mas nao de todo enxuta : depois terás preparada ferrugem com agoa ( como acharás nestes segre¬ dos) e disto com liuma brocha lhe passarás huma , ou duas máos com destreza , procurando imitar a raiz da nogueira: estando, como deze- ias , lhe passarás duas mãos de ver- niz fino.
II.
B
( i8>
Modo de forçar huma olheira velha para que dê fruto abundante .
JSÍas vizinhanças de Marselha, e outros Lugares de Hespanfaa , cos- tumao os seus naturaes cortar aquel- Jas oliveiras antigas , e que naô daõ fruto-, porém tem-se descuberto hum meio , para que se vejaô obrigadas a dar fruto outra vez, nesta fôrma. Tira-se-lhe dos ramos novos o al¬ to de hum dedo de, casca tudo ao redor por igual , e se torna a co¬ brir com huma casca do mesmo ta¬ manho, tirada de huma oliveira no¬ va • depois se lhe põe o aparelho costumado , para que a ferida se cu¬ re , &c. Estando as oliveiras assim enxertadas daráõ o anno seguinte grandíssima copia de azeitonas , sem as cortar.
Para fazer tossir a todos, os que \ estaõ em hum apozento.
T oma pimenta branca cm pó, £ a póe sobre as brazas •, e ccm es* te fumo tossirão todos. No apozen¬ to , aonde houver fumo, queima¬ rás hum pouco de alecrim , e no mes¬ mo instante desvanecerá o fumo.
» / s. • 1
23.
Para ver as es t relias em todas as horas do dia.
TToma hum cubo deagoa ,ou hum alguidar , e seja a agoa limpa ; den¬ tro lhe póe hum espelho , c porás o alguidar desta softe ao Sol , aon¬ de olhando , e vendo nesta agoa , descobrirás as estrellas.
( ap )
24»
' Tara que huma faca traga à si ou* tra , sem que alguém lhe toque .
J_ oma unhas de asno, e queima-as em póssutis: estes pós porás na agoa, e nesta agoa apagarás huma faca em braza seis, ou sete vezes , a qualatra- hirá a si outra faca, porque terá a qualidade da pedra de cevar, ou iman»
25.
Tara temperar 0 aço.
T' onia çumo de porros, duas partes de vinho branco bom, e huma parte de azeite commum ; mistura tudo junto , e tempera o aço neste banho por trez vezes; e cortará depois ao mesmo ferro. He provado.
Para que o cordovaõ , ou bezerro ve¬ lho pareça novo .
T oma tinta de tintureiros, mistura- a com o çumo de iimao azedo ; e com este banho esfrega o cordovaõ, ou bezerro , e ficará com o mesmo lustro, que tinha.
27.
■
Arte para que 0 pao , por duro que seja , se ponha fresco do mesmo
dia.
TToma o paõ, e mete-o na agoa , tira-o depois , e o mette no forno , que logo deixará a dureza, e parece¬ rá fresco do mesmo dia.
* ( 2* )
2«.
Tara pulir^ e limpar ouro, ou prata de bordado , galões frizos &c\
TP orna gesso reluzente, faze-o cal¬ cinar , até que fique em pós impaípa- veis ; e logo toma huma esponja fi¬ na, ou trapozinbo, encheo destes pós, e esfrega a obra ; depois com huma brochazinlia lhe tirarás o pó , o fica¬ rá como novo. Para obras de ouro to¬ ma raiz de curcuma , faze-a em pós, e prosegue, como a cima.
29.
Tara fazer hmíia pedra, que ar der d na agoa , apagar-se-ha no azeite \ e estando açúcar dará munta luz .
:HP
A ema alcanfor huma onça, em hum pedaço, e a põe em agua ardente; 3ança-ihe logo em cima aivaiade or¬ dinário , rira-a , e póe-na em agoa , / que arderá dando-lhe fogo; e pon¬ do-a em azeite, se apagará. He pro-
\
>vado em quanto arder, terá a caza muita luz.
3°.
Para plantar figueiras em cravei¬ ros , ou vazos pequenos , que da¬ rdo fruto.
Primavera toma hum raminho de figueira , antes, que lance folhas, torce-lhe a ponta com as mãos, e a planta desta sorte no vazo, espalhan- dc-lhe ao redor alguns grãos de ceva¬ da, ou milho ; tapa-o de sorte, que a terra cubra o tronco dous, cu tres dedos ; e nesta forma sahirád breve- menteos raminhos pequenos, os quaes se iraÕ alargando, e crescendo pelo vazo produzindo em breve tempo o fruto , ficando a planta sempre peque¬ na este segredo nad o havia ter dito \ mas já o está. * .
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*»•
Para dourar sohre pergaminho , 0# bezerro .
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JL oma çumo de alhos, eaçafraóem pó; disto darás duas, ou tres mãos sobre o pergaminho , ou bezerro, que deixarás secar hum pouco, e estando enxuto, o aquentarás com o hálito, e no mesmo instante lhe porás o ouro com algodao ; estando enxuto, o bur- nirás.
32*
Para dar d madeira cor de ventu • rina.
Farás o fundo de côr escura, com¬ posta, de vermalhaõ sombra, e póz de sapatos ; segundo quizeres a côr mais negra, ou mais escura, ou mais vermelha , &c. porás mais, ou menos destas cores ; estando secco, o burni- rás ; depois aquentarás a peça, e lo¬ go lhe porás os pós de venturina, passados por peneira de seda , cu por
( 2y )
hum canudo, &c. Nota, que a peça deve estar húmida do verniz, para que os pós se peguem, e depois a puliraz.
Verniz, da China solre fino .
rp
X oma huma libra de espirito de vinho rectificado, cinco onças de gra- silha , cinco onças de goma laca, liu* ma onça de almecega em graõ, meia onça de termentina de Veneza, huma onça de azeite de termentina, meia onça de termentina , meia onça de gomma copal, e tudo cozerás ao Sol.
34-
Para que huma estampa pareça de ouro moido .
Depois de haver preparado a estam¬ pa com verniz commum pelas duas partes , para que fiqúe transparente, a deixa enxugar; logo lhe porás os pães de ouro, pelo enves da estampa,
( 26 )
pegando-o com algodaó; e isto fará parecer pela outra parte todas as fi¬ guras de ouro. Porás de trás desta estampa huma taboinha, ou papelaõ,
, para que se sustenha firme. Se quize» res dar-lhe huma mao de verniz, pa¬ recerá cristal dourado j entende-se sobre a estampa.
35-
Para pintar em minhatura sobre be¬ zerro.
TPoma huma estampa fina, ateu gosto, e hum papel do mesmo tama¬ nho, o qual com hum trapo, molha¬ do em azeite, esfregarás suavemente, logo o deixa secar ;*estando enxuto , porás o papel sobre a estampa,' prezo com huns alfinetes , e com tinta de debuxar v copiarás o retrato-, depois porás o papel debuxado sobre o be¬ zerro , apertando-o bem, para qu o debuxo fique no bezerro com perfei- çaõ. O mesmo lograrás sobre ma de¬ ra. Estando o debuxo sinaladu sobre
(■>7 )
o bezerro, lhe darás huma maõ de laca mui clara com hum pincel sobre todos os perfiz , para que se nao bor¬ rem , trabalhando; depois com mi¬ galhas de paõ limparás o bezerro , para que nada fique negro de carvaó. Este bezerro pegarás sobre huma ta- boinha, para que fique firme, e esten¬ dido. As cores, que saõ boas para a minhatura, vem a ser , carmim , ul¬ tramar, azul da Prússia , laca de Ve¬ neza , e do Levante, vermelhão , zar- caõ, ocre, ouro pimente, gutigambar, amafello de Nápoles , alvaiade ordi¬ nário , anil , negro de marfim, pós de sapatos , ferrugem , sombra, verdete, verde de montanha , ou de terra, ver¬ de de bexiga , cinzas verdes; e azues de Inglaterra, alvaiade de Veneza, tinta da China , e pastus de todas as cores. Para pintar sem azeite, e sem gomma, conchas de ouro, e prata , fino , e falso , ouro, e prata em pães, fino, e falso, purpurina de todas as cores, e toda a sorte decor de bronze.
Todas estas cores, depois de preparadas , poras a destemperar em
< 28 )
■ ' . ( ,
agoa de gomma Arabia, e açúcar em pedra : por exemplo ; em huma redo¬ ma de agoa porás o grosso de huma nòz de gomma, ametade do açúcar ; será precizo , que tenhas esta agoa de gomma em huraas redomas, bem tapadas , e limpas, e que nunca to¬ mes delia com pincel, e mais quan¬ do tiverem as cores ; e assim toma- las-has com hum canodinho, ou cou- za semelhante. Os pincéis importa , que sejaò bons ; e para o seu conhe¬ cimento , nota, que molhandò-os, to¬ dos os pelos estejaõ unidos; que es¬ tes saó bons : estando trabalhando , app!ica-os aos lábios , bem adoçan¬ do-os com a lingua. Para fazer a en¬ carnações misturarás alvaiade,e ver¬ melhão, mais, ou menos, segundo qui- zeres as cores mais , ou menos vivas ; para os lábios carmim, e vermelhaò \ para sombrear a cara, vermelhaõ, e muito mais de sombra ; para os ca- bellos louros aivaiade , e sombra ; para os cabellos nacarados, ocre , e albin ; as sombras , de ferrugem, e laca; para cor de cinza, aivaiade,
( 2? )
hum pouco de negro , e sombra ; pa* ra panno de linho, aivaiade deVeneza, e hum pouco do beriino; para a roupa, de aivaiade, e se sombrea com huma cor parda, que se faz mesclan¬ do hum pouco de negro, e outro tan¬ to branco. Para vestiduras brancas, sombra, e aivaiade ; para as sombras, sombra, e negro; para vermelho, ver- melhaõ ; para as sombras claras, ver¬ melhão, e carmim ; para as sombras escuras , laca, ou carmim, em cima de vermelhão; para amarelio, ama- rello de Nápoles, e gutigambar ; pa¬ ra verde, terra verde de montanha ; e as sombras, gutigambar ; para ne¬ gro, aivaiade, e negro ; e se quizeres a sombra mais escura , mistura-lhe anil.
Para fazer huma arquitectura de pedra, anil, ferrugem, e aivaiade ; porém, se forem arcos, ou outras an¬ tiguidades , sempre deves diíFerençar as pedras , tingindo de amarelio, e szul , humas de ocre , e outras de ver- ' dete. Paia os fundos, os pode execu¬ tar a tua idéa ; corro por exemplo.
C 30 )
Para fundo escuro , ferrugem, som¬ bra » negro, e alvaiade commum *, para fundo claro, muito ocre ; e se o quizeres mais pardo, hum pouco de anil : também farás hum formozo fundo , tirando sobre o verde, que he, o que mais se costuma, com negro , ancorea, e alvaiade, tudo junto. Pa¬ ra fazer hum Ceo, ultramar, e mui¬ to alvaiade mesclados, fazendo as nuvens sobre o mesmo Ceo, realçando as luzes com muito elvaiade, e forti¬ ficando as sombras ; e isto heo mais breve, e facil o Ceo de noute, ou tem¬ pestade , de anil, negro , e alvaiade, mesclados: he necessário pôr nisto hum pouco de ocre, e vermelhão, para fazer as nuvens, e estas já ver¬ melhas , já amarellas. Para fazer fo¬ go , e chamntas, farás as luzes de al¬ vaiade, e ouro pimente ; as sombras, de carmim , e vermelhaÕ. Para fu¬ mo , tinta da China, e alvaiade je ' algumas vezes de ferrugem. As péro¬ las, hum pouco de branco, e azul ; e para sombreallas , e redondallas, a mesma cor, porém mais forte, fazen-
do-lhe hum panno branco, quazi no nr.eio para a parte da luz Os diaman¬ tes , sómente com negro, realçando as luzes com alvaiade: o mesmo se entende para as pedras. Para fazer hu- ira figura de onro, se dá huma maó de ouro de concha, e se sombrea com purpurina : o mesmo a prata, mas es¬ ta se sombrea com anil,
O carmim se empréga mui cla¬ ro para as vestiduras , e mais espesso para as sombras. O roxo se faz com azul , alvaiade, e laca \ para as luzes, e para as sombras, azul , e laca ; e para’ a sombra escura Jaca, e anil. O verde, com azul , e alvaiade \ e pa- ra a sombra, mais azul. Para as ar¬ vores , sombra ,e verdere. Para pers¬ pectivas verdete com azul ; eas mon¬ tanhas azues roxas claras. Sobre isto se nao podem dar regras certas ; mas deve-se conhecer por experiencia a força, e cífeiros das cores, e traba- Jharsobre este conhecimento. Os pin¬ tores intelligentes , que entendem a perspectiva, e harmonia das cores , piocuraõ sempre pôr as cores sensi-
( 3* )
veis , e escuras por cima da suas pin¬ turas ; e as claras, e fugitivas no fun¬ do. Quanto á uniaó das cores, e as differentès mesclas, que se podem fa¬ zer , mostraraÕ a amizade, ou anti¬ patia , que ellas tem ; e sobre isto es¬ tarás advertido para as pôr em ordem, para que sejaõ agradaveis á vista.
36.
Segredo sutilíssimo, e nobilíssimo pa¬ ra endurecer as pedras, que pare¬ cerão diamantes .
Tt oma huma retorta, na qual porás pedra hume, e destilla ; torna a pôr agoa sobre as fezes por tres, cu qua¬ tro vezes , sempre destilando ; logo toma desta agoa, e a põe em hum ca¬ dinho com as pedras de cristal lavra¬ das *j porás este cadinho sobre cinzas quentes, e eíebaixo da caçoula deves pôr huma luz de tres, ou quatro pa¬ vios por espaço de 30. dias ; tuclo a- justsdo em hum fornozinho, corno bom oílicuí.
( 33 )
37-
Verdadeiro verniz para dar aos pdos , ou cana* >'como o de In¬ glaterra,
o
P rimeiro darás aos pác?s , ou ca¬ nas huma maó de cóía de farinha, bem igual ; terás de molho huma pouca de cóla de Fiandes , com ou¬ ro pimente vermelho, á discrição ; e* dá-)he com isto outra maô ; e quando estiverem enxutos , dá-lhe outra , se a julgas a propozito ; de¬ pois lhe darás outra maô com ver¬ niz de termentina , e espirito de vi¬ nho ; logo toma girasol em peda¬ cinhos, e o pòe em iguaes partes de agoa , e ourisa ; e com esta cor pintarás os páos , ou canas, agi¬ tando-os continuamenre de huma mao á outra; e por fim lhe passa¬ rás outra mao de verniz ; e deixa-o seecar.
o
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H.
V -
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- z •
Verniz para dar sohre huma er- tampa , ou outra sorte de papel .
Dar-lhe-has huma maó ligeira de cóla forre sobre o papel , bem cla¬ ra ; estando secca farás derreter tres partes de azeite de alfazema, huma de lezina de pêz ; e dá com este verniz : quando estiver enxuto , da- lhe outra maó , e ficará mui cris- tallino , se lha deres igual
39-
Para por letras de ouro , ou ou — tros lavores sobre terra , e madeira.
Toma cóla de peixe, dissolve-a ern agoa , estando reduzida em con¬ sistência de cóla, toma , o que jul¬ gares a proposito para fazer huma cpmpoziçaó com tartaro vermelho, passado sutilmente por peneira , e com ''hum pincel de baxarás desta
C 35 )
mistura sobre terra , ou barro , ou madeira , &c. logo lhe poe em ci¬ ma ouro em pães , e estando «eco, o bornirás com o dente, ou pedra de bornir.
40.
Para fazer vélas de sebo , que pa¬ re çaÕ de cera .
L/ançarás cal em pó muito sutil dentro do sebo fundido ; a c^l ca- hirá no fundo , e o sebe ficara pu¬ rificado, e taõ formozo, como ce, ra ; mas para melhor dissimulaçaô - porás tres partes deste sebo com hu- ma de cera ; e terás humas vélas mui formozâs, que nenhum cego di¬ rá , que sao"de sebo. He provado.
4i-
Para tingir hum cao de cor verde.
Toma alcaparras frescas, distila- as-, e com esta agoa molharás os cães, isto he os cabeüos delles , fa-
( 36)
zendo-os estar \ ao Sol. Linda traça para furtar os cáes.
42.
Tara escrever sobre a palma da mao , j*? ler com arte.
Y g~t
JL oma ourina , e com hunía pen- na escreve sobre a palma da maô, o que quizeres e deixa-o enxugar ; e logo com tinta ccmraum escreve em hum papel o mesmo , que escre¬ vestes sobre a maõ •, entaô mostra a maô aos circunstantes, dizendo- lhes , que vejaô se al!i ha alguma couza escrita ; e que te atreves a fa¬ zer-lhes ler, o que está escrito no pa- pel , sobre a palma da mao , nesta fórma. Toma o papel , em que es¬ crevestes, queima-o, e com os pos esfrega a maô j e logo se deixa- ráo ver as letras, que escrevestes com ourina , e taô negras, como as que escreveste^ no papel. He galante li** geireza, imitando bem as letras.
/
X :
A *
( 37 )
43-
Para fazer purpurina para escre*
ver .
T^oma hum ovo, faze-lhe dous buracos pelas duas pontas, para que possa sahir a clara, e fique dentro a gemma , e o encherás de azou* gue ; depois fecha os dous buracos com lacre , ou outra couza mais forte j e o póe debaixo de hurna ga¬ linha , ou em esterco , por espaço de quinze dias , ou mais ; tira-o , e íerás huma bei Ia cor para escre¬ ver , se te sahir boa. He provado.
« • ' 1 "
44-
Para fazer hum estuque vermelho , para vazar , e outras obras .
T orna claras de ovos , quantas quizeres, baje-as com huma e.spatu- la de páo , até que se façaõ , como agoa , na qual lançarás vermelhão, cal , e pós impalpáveis de cascas
\ .
( 38 )
de ovos calcinadas : disto farás hu- nta massa , como pasta , e forma as obras , que quizeres ; séca-as cm lu¬ gar quente , mas naÔ ao Sol , nem ao fogo.
f
Para dar pezo ao ouro , que pas - sou por agoa regia.
He necessário deixar na agoa por espaço de huma hora hum pedaci¬ nho de escama de tartaruga , e logo por-lhe-as o ouro dissolvido, e to- iíiará o seu pezo.
46.
Para pintar roupas de seda a mo - da das Índias.
Tomarás duas libras de azeite de termentina clara , pôe-lhe dentro duas onças de almeciga em graô grcsso, com' huma noz de alcanfor, isto porás a dissolver a hum fogo lento, depois coa-o ; passarás duas
wãos deste azeire sobre o tafetá , ou •Outra roupa , pelas duas partes , es¬ perando primeiro , que se enxugue, antes de ihe dar outra maõ ; e por fim o deixarás assim preparado por dous dias; logo debuxa , o que qui- zeres com pós de sapatos , e agoa de gomma ; terás prevenido todas as cftres, que queres empregar , mis¬ turadas com verniz claro : he pre- cizo , que as cores sejao. finas , e transparentes; e depois de pintares, o que quizeres , deixa-o enxugar, e da-lhe huma mao de verniz claro pelas duas partes.
47*
Lacre de todas as cores para fe¬ char cartas .
TToma huma libra de gomma la¬ ca , de beijoim , e calafonia , de cada couza meia onça, e de verme¬ lhão huma onça , derreterás tudo , e estando liquido, lançarás isto so¬ bre huma meza , untada .com azei-
( 4° )
/ - : .. • ;•
te de amêndoas doces, e em quanto está quente, formarás os páos, ou barras ; para negro com pós de sa¬ patos; e as demais cores ao mesmo theor.
48.
Para dar verniz a huma chami¬ né ; coaza curioza .
P rimeiro lhe darás de negro com fumo , e cóla , e quando estiver en¬ xuto, lhe darás huma maõ de al- vaiada, e cóla , e estando seco, to¬ ma verdete, e azeite de nozes , mis- iura-os com verniz ordinário, e com huma brocha o dá sobre o alvaia- de, e ficará verde, e formozo.
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< 4i >
H
49-
Agoa para destemperar as cores , para pintar pannos de linho , que ainda que se lavem , nao perde¬ rão as cores .
TToma cinco libras de oleo de li¬ nhaça , meia libra de verniz liqui¬ do, huma onça de pedra hume , outra de salitre , outra de vitriolo Romano , e meia onça de almeci- ga , e porás isto ao lume , em hu¬ ma panella, até que tudo esteja bem delido; logo o poe a distillar , ea agoa , que sahir, serve para destem¬ perar as cores para a minhatura , pintar pannos de. linho , e outras couzas. Nota f qúe o deves guardar em redomas, bem tapadas, para que nao evapore.
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\
( 4* ) yo.
Para fazer brancas , e lustrosas as pérolas finas .
TToma lithargirio de ouro , e com çumo de laranjas o reduze á consis¬ tência de unguento liquido ; destil- la-o , e a agoa , que sahir , conser¬ varás em huma redoma tapada ; de¬ pois de alguns dias , toma esta agoa , e a poe em huma púcara v-idrada , na qual lançarás as pérolas; e po¬ rás isto sobre cinzas quentes por seis , ou outo horas , sem que fer¬ va ; depois as tira , e com hum panno de linho branco as enxuga , e ficaraõ lustrozissimas»
51»
Para restituir a cor ás pedras turquezas .
TToma azul da Prússia, ou ultra¬ mar , bem moido , e o poe em agoa forte, deixa-o em infuzaò todo o
( 43 5
dia , depois evapora a âgoa , com circunstancia de que fique com al¬ guma humidade; e nesta esfregarás as pedras , limpando-as , e enxugan¬ do-as ; e ficaraõ roais formozas,do que antes.
52.
Azeite artificial , de que huma on< ça dura mais , que huma libra commum .
TToma manteiga de vaca fresca , cal , tartaro cru , e sal commum , partes iguaes, tudo bem misturado , e moido , e sovado em agoa arden¬ te ; porás isto em huma retorta bem lutada , dando-lhe o fogo por gráos, as junturas bem tapadas , e sahirá o azeite preciozo.
/
< 44 )
53-
Cimento , ou betume para os canos , £ fontes .
TT
X oma litargirio, e bolo Armênio em pó , de cada hum duas libras , ter<ra amarella , e rezina , de cada couza quatro onças , de sebo de carneiro cinco onças , almeciga , e termentina , de cada couza duas on¬ ças , azeite de nozes * o que for ne¬ cessário , para o fazer manejavel, deves amassar tudo junto, até á sa¬ bida consistência , e depois o em¬ prega.
Composição para imitar bordados ,
tf outros relevos , para dourar , pratear , ou pintar.
jL oma huma libra de oleo de li¬ nhaça , grasilha , almeciga , pêz de Borgonha , assafetida , cera nova , e termentina , de cada couza quatro onças, moerás tudo, e q porás em
hurra panella vidrada aolüffle,pa- Ta que ferva , irais de duas horas a fogo lento ; tiraras depois a pa¬ nella do lume , e guarda-o , para que se faça, como massa, o que lograrás , acrescentandoihe alvaia- de, e sombra , mui sutilmeme taoi- do , e passada por peneira : uzarás desta massa, em quanto estiver quen¬ te , porque se a deixares esfriar, se faz dura , como mármore.
5S* "
Uzo desta compoziçao,
P odes pô-la sobre metal , panno de linho , ou de laa , seda , madei¬ ra , alabastro , pedras , ou outras couzas , que quizeres : farás os fun¬ dos á tua fantasia • pintarás Arma¬ das , Perspectivas, Bosques, Flo¬ res , &c. Depois com esta massa , em quanto está tenra , irás enchen¬ do , o que quizeres de relevo ; e as¬ sim como se começar a enxugar , a dourarás , pratearás, -ou pintarás da cor, que te parecer.
Para imitar as penhas .
T orna cera branca , e rezina , par¬ tes íguaes , e huma meia parte de enxofre ; derrete tudo isto ju'nto; e logo lançarás túdo liquido dentro da agoa , e se fará , como escuma do mar : .aquentarás a parte , aon¬ de a quizeres pegar.
57*
Para dourar mármore , ou pedra.
I orna bolo Armênio , o ma is fi¬ no , que achares , e o misturarás com \ cleo de linhaça , ou de nozes ; e quando quizeres dourar, terás cui¬ dado , de que naõ esteja demazia- damente enxuto , nem húmido.
Para dourar cristal , vidro , ou porcelana .
(Compra meio tostão de oleo de linhaça , e outro' tanto de lithargi- rio de ouro , dez reis de sombra , e outro tanto de alvaiade , moerás, e misturarás tudo sobre a pedra , e com hum pincel pequeno, molha¬ do ,• pintarás , o que quizeres , so¬ bre vidro, &c. e logo lhe aplica¬ rás o ouro com algodaò , o qual chegarás á boca , para que tenha alguma humidade, e possa tomar o ouro : estando enxuto deves burnir a parte.
59-
Para dourar metal , ou pedra , sem _ ouro .
T orna sal Amoniaco , vitriolo branco, salitre, e verdete , tudo. era pós muito subtis; lança estes pós sobre a pedra-, ou metal de sorre.
que fique fudo -cuberto , depois o porás desta modo dentro do lume , cu sobre brazas , deixando-o huma hora ; e logo o apaga em ourina.
6o.
Para pôr ouro , ou prata empo sobre madeira .
A Madeira negra , ou dada de ne« gro , he mais a propozifo para is¬ to ; e assim desfarás huma pouca de gomma em agoa ; depois porás des¬ ta agoa no ouro , ou prata de con¬ cha : darás huma mao desta agoa com huma brocha ás partes ciaras da obra , ou peça ; e para as som¬ bras toma anil misturado com agoa de gomma limpíssima , e muito dara ; depois de lhe teres dado hu¬ ma maõ , e de estar enxuto , lhe darás outra com secante, feito de azeite de alfazema , e grasilha; se estiver demaziadarnenre espesso lhe acrescentarás hum pouco de oleo de linhaça. Mota, que naõ deve
C 49 )
*\ * ~ .
ferver denmiadamente , e seja de sorte, que possas meter hum dedo , sem te queimares.
61.
Para dar cor de prata ao ferro.
TToma sal Anymoniaco em pó , e cal , mistura tudo em agoa fria ; e quando t> ferro estiver candente, o apagarás .nesta agoa algumas ve¬ zes ; e chegará a por-se taó branco como prata.
62.
Para fazer ouro de concha.
-Toma
rabia ,
lava-o em agoa commum ; o ouro irá ao fundo ; e depois o porás den* tro da concha.
■ " X /
ouro em pães , gomma A- e hum pouco de salitre, e
D
r
( 50 )
- 63.
Tara fazer prata de concha .
TT orna prata em folhas , gomma limpa , e sal branco ; farás o mes¬ mo , que para o ouro.
64.
Cola para dourar .
T oma meio cubo de agoa , em que porás meia libra de còrraduras de luvas brancas , deixa-as na agoa até que estejaõ inchadas, logo lhe acrescenta hum vazoxie vinagre for¬ re, e o põe ao lume ; e quando co¬ nheceres , que está metade cozido , lhe porás ouna tanta agoa ardente ; e ames de se tirar do fogo, lança- lhe o grosso .de huma nóz de cóla forte ; e estando descorada , e gela¬ da , estará feito.
Para que as moscas se nao peguem ás pinturas.
Porás hum molho de porras den¬ tro de meio cubo de agoa , por es¬ pado de seis, ou ouro dias; e com esta agoa lavarás as pinturas. He provado.
66.
Para limpar as pinturas , e dei¬ xa lias y como novas.
.1 oma cinza , agoa clara , e ou- rina , ou vinho branco , e limpa a pintura com huma esponja molha¬ da neste banho.
Outro melhor.
JL oma duas canadas de cenrada, a mais velha , que achares, e qua¬ tro onças de sabaõ de Gênova , o qual raiarás mui meudo , e o porás
D 2
i
( sg )
dentro da cenrada , com hum quar¬ tilho de vinho; e tudo ferverá por meia hora a fogo suave ; logo a coa por hum saquinho, ou feltro, dei¬ xando-a esfriar ; toma depois huma brochi, que molharás na compozi- çaõ , e com ella limpa a pintura ; deixa-a enxugar , e logo lhe dá ou¬ tra maó ( estando seca , toma azei¬ te de nozes , e com hum pouco de algodao o irás passando sobre a pin¬ tura por todas as partes , e quando estiver bem enxuta , toma hum pan- no quente , e limpa bem a obra , e ficará , como nova. He verdadeiro»
62.
Tara conhecer se huma pedra he fal¬ sa , ou verdadeira.
Farás aquentar huma prancha de ferro, e põe-lhe em cima azeite; terás vidro, feito em pò, que lan¬ çarás sobre o azeite, e logo acen¬ derás huns carvões sobre o vidro , chega a pedra a estes carvões ; mas
T^oma azeite de alfazema rres on-, ças , grasüha du3s onças; logo to* ma huma panella nova vidrada , e a pôe ao lume , deixa-a aquentar , c estando quente, lhe lançarás den¬ tro ametade da grazilha , e outra aroetade do azeite ; revolve-o a meu- do, para que se naó queime , ou
( 5T4-)
pegue ; e vendo , que falta pouco pa¬ ra estar derretido , o que ha den¬ tro , lhe lançarás o restante da gra- zilha , e do azeite , que tudo deve estar bem limpo : quando tudo es¬ tiver bem fundido, lhe lançarás hum pedacinho cie alcanfor, que fundirás primeiro , para lhe tirar o máo chei¬ re. Hasde dar este verniz quente.
71*
P/7 ra fazer jaspe negro , ou már¬ more jaspeado
fjP ema enxofre, cal, agoa forte, e cascas .de nozes verdes , de cada ecuza hurra onça , mistura tudo jun¬ to , e com huma brochazinha da¬ rás hun a ma 6 deste betume sobre a .rr.cz a , ou cclunin.a, que queres jas- pear ; depois porás a meza , ou outra couza em esterco quente por espaço de outo dias j c lcgo*tirarás a pedra , ou madeira toda jaspeada.
( 5? )
72.
De outro modo .
Farás huma bóia do referido be¬ tume, e a porás dentro de esterco por, 8. dias; e desta bóia esfregarás a meza, cadeira, contador, &c. e estando jaspeado por este meio, lhe darás huma maó de verniz, para que fique lostrozo.
73-
Dara fazer hum movimento perpe¬ tuo, '
TPctna agoa forte, e lança nella limsduras de ferro, bem secas , e limpas , e fiquem por espaço de ou- to horas ; logo porás esta agoa ferie em outra redoma , e dentro delia po¬ rás huma pedra de cevar , que se¬ ja verdadeira ; tapa bem a redoma, de sorte, que naó possa entrar ar, por cujo meio terás hum movimen- perpetuo.
/
( Jf)
74
Para fazer panno de linho , que se
lave no fogo.
-i. orna madeira de carrasco , e a queimarás em cinza ; com ella mis¬ turarás, outras tantas cinzas grave- ladas, as quaes ferverás com dèz vezes mais de agoa do que j^eza- rem as cinzas ; e depois de ter fer¬ vido huma hora , acrescenta-lhe mais agoa á proporçiõ do que ti¬ ver consumido : porás dentro desta agoa huns canos de pedra hume de pluma, ou amianto, por espaço de iiuma hora : tira a caldeira do fo¬ go , e a pôe em alguma cova por espaço de hum mez , no fim do qual acharás os canos de pedra hume de pluma manejáveis , como se fora li¬ nho, o qual mandarás fiar, e tecer; quê se nao consumirá no fogo , an¬ tes para o lavar será precizo pol- lo em á>razas para se fazer branco.
*
Para cortar as pedras com facili¬ dade.
Ferve-as no sebo de carneiro , e as cortarás facilmente.
76.
Para afiar os instrumentos para serrar 0 mármore , ou pedrm.
P orás a serra no fogo , até que es¬ teja candente; depois a tira, e es- frega-a com sebo de Yelas, e a apa¬ ga em vinagre.
77-
Espirito que dissolve as pedras , por duras que sejao
n p
X oma farinha de centeio , e a faze em bóias, as quaes deixarás secar; logo as póe dentro de hum íam- bique, o qual lutarás muito bem, e lhe darás fogo graduado , para ti-
/
rar a espirito por destüaçaõ, no qual podes pôr as pedras , que se dissol- veraõ.
Para calcinar , ou fundir h uma fo¬ lha de espada , sem que faça mal á bainha .
P orás no fundo do ferro hum pou¬ co de arsênico em pó , depois dei¬ xarás cahir algumas gotas de çu- ino de laranja : voltarás a folha no ferro , e dentro de meia hora verás o elfeito.
79-
Para fundir , e vazar o ferro.
F unde-se o ferro com qualquer des¬ tas cousas que sao : estanho refina¬ do, chumbo, marcasita , ouro pi¬ mente , antimonio , vidro branco , enxofre, sal ammoniaco, cascas de romãs verdes , ou frescas , &c. ad¬ vertindo, que podes vazar o ferro nos moldes , por finos que sejaô os
lavores , ainda que nad esteja de to¬ do liquido ; porque nem por isso dei¬ xará de sahircom toda a perfeição, ocupando em se alargando , o mais pequeno vazio do molde. O que acon¬ tece , e costuma ser mais formozo o vazado do ferro que o dos roe- taes nobres ; por quanto estes se ces- tumaò encolher, e o ferro alargar- se. Affirmo ser verdade.
8o.
Vara imitar a concha sobre o cobre .
tintarás laminas do cobre com a- zeite de nozes, e o porás a secar ao fogo , estando dos dous cabos sobre humas barras de ferro.
8r.
Vara imitar a concha sobre o corno.
D issolverás ouro pimente em agoa de cal filtrada , porás desta còr so¬ bre o pentem , ir.eza , &c. com hu-
ma brocha ; e se naõ for suficiente a primeira vez , lhe darás segunda maó pelas duas, partes.
82.
Para temperar 0 ferro,
X oma çumo de ortigas , fel de touro, ourina de menino, ou vina¬ gre forte , com hum pouco de. sal; juntarás tudo ; e nistg temperarás o ferro candente.
Para quebrar hum ferro grosso como 0 braço.
TToma sabaò brando , e com el- Ie unta o ferro no meio ; logo com hum fio sinala , aonde queres que¬ brar ; depois tóma huma esponja em bebida de agoa ardente de tres des¬ tilações; envolvea no ferro, e den¬ tro de 6. horas se quebrará.
( 6i )
84.
Para contrafazer 0 evano.
Porás galhas em infuzaô dentro do vinagre, em que tenhas posto cra¬ vos frescos ; e disto darás á ma¬ deira , e apulirás.
%•
Para fazer estatuas afiguras , va* zos , e outros lavores de cascas de ovo,
T ' . ■ V| • '
oma huma quantidade de cas¬ cas de ovos , e manda-as ao for- fro , aonde estejaõ dous dias , para que se calcinem perfeitamente \ lo¬ go com gomma Arabia , e claras de ovo farás hum licor , no qual porás esta cal de ovos , feita em pós muito finos \ e estando muito firme, como massa , formarás vazos , ou estatuas , á tua fantazia ; as. quaes deixarás ao Sol secar, e teiás obra soberana.
1
(62)
- - : ■ s - - V
86.
Tara tingir mármore de cêr roxa , ou azul .
T orna çumo de cenouras negras, e çumo de lirios azues ; e porque estas duas cousas se naõ achaõ jun¬ tas em hum mesmo tempo, procura - conservar o çumo de huma delias, e mistura-o com o outro , quando for o seu tempo: também o podes fazer com hum dos dous , tudo bem co?.do, e purificado, o põe a fer¬ ver em vinagre branco ; que haja tan¬ to de hum como de outro; e por cada libra de çumo, e vinagre, lan¬ ça huma onça de pedra hume em pó : porás nesta agoa os pedaços de mármore, ou alabastro, e os põe a ferver, e tira-os, quando estive¬ rem a teu gosto; porque esta côr, quanto mais ferve, se põe mais es¬ cura ; e se os pedaços forem mui¬ to grandes , lhe darás com a bro¬ cha , estando o mármore, e a côr quentes.
V
( 63 )
87.
Para dar cor de bronze a toda a sor • te de obras .
oma albim bem moido , com a- zene de nòzes ; darás com isto hu- ira mao á peça , em que queres dar a côr e deixa-a enxugar; logo po¬ rás verniz dentro de huma concha ; molharás a ponta do pincel no ver¬ niz , depois toca-o em o ouro de Alemanha moido, e disto irás pas¬ sando sobre a obra , o mais igual , que poderes; e assim prosegue,até que toda fique dessa cor,
88.
Para fazer 0 alabastro , e mármo¬ re , mais branco .
JToma pedra pomes em pós su¬ tis , e os póe em agoa perto de hum dia ; toma logo huma espon¬ ja , a qual molharás neste banho , e esfregarás o alabastro , ou inar-
1
more , e ficará mais branco, de que antes. / -
'Tinta para escrever sobre mármore*
J_ oma fumo de oleo de linhaça , e pez grego , misturados ao lume.
90.
Tinta para escrever sobre prata , sem que se borrem as letras •
TToma chumbo queimado, e fa¬ ze-o em pó ,0 qual encorporarás com enxofre , e vinagre , até que seja cor para pintar \ e com isto escreve so¬ bre prata , esperando que se enxu¬ gue ; depois chega-o ao lume , pa¬ ra que se aperfeiçoe.
< % )
Tara Se na o queimar no chumbo fun*
-91.
• >
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dido*
•f oma <*ua« onças de bolo Arme- mo, huma de azougue, meia de al- canfor , e duas de agoa ardente ; mis¬ turaras tudo em hum gral de có- bre; e logo podes umar as máos . desta mistura 7 e se te naô queima* res he bom.
1
3
Tara fazer httma torcida , que nm~ ca se consumirá .
np
JL orna hum pedaço de pedra hir- me de pluma , ou amianto , do ta¬ manho, que quizeres, e o trás en¬ chendo de buracos ao comprido com huma agulha *, depois o porás na alampada , ou candrieiro , e o azei¬ te entrará pelos buraços ; acende , e verás o efeito. Ser o tirares , como se disse na arte de fazer panno de linho incombustível , será muito me¬ lhor , porque estará fiado.
94.
Tara contrafazer 0 mármore de ta u das 1 as cores .
np
JL o ma gesso mate, ou gesso re¬ luzente , calcina-o no forno; depois de'estar calcinado , tira-o, e mis¬ tura-lhe a cor, que quizeres, tudo em pòs dnissimos, com agoa de có-
Ia de peixe ; e desta massa podes fazer de embutido mezas , frontaes , .ou toda a sorte de obras , á tua vontade. Estando enxuto , o deves burnir , como o mármore.
PS-
Modo para fazer camafeOs , para pôr nos anneis , e outras peças .
TF orna conchas do mar , bem moí¬ das , e as pôe em çumo de limões , que hajas coado cinco, ou seis ve¬ zes por feltro , posto em huma ti- gella , e sobrepuje tres ou quatro dedos, e o tem bem tapado; fi- caftdo assim doze, ou 15* dias; lo¬ go tira o çumo , e guarda aquelle solho ou camada , que será coroo papas : lava-a em agoa clara , e de¬ pois moe-a sobre a pedra com cla¬ ra de ovo batida: quando conhece¬ res , que está em estado de se po¬ der vazar , terás os moldes preve¬ nidos , e untados com oleo de amên¬ doas , e neiles porás a dita massa ,
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apertando por cima, para que si* nale, e saia bem gravado : logo ti¬ rada com a ponta de huma faca , e a põe a secar ao Soi sobre hum papel ; e qgando a quizerçs pôr so¬ brei cristal negro , ou cousa seme¬ lhante, toma hum graõzinho de aí- meciga sobre a ponta de huma fa¬ ca , ou de hum páozinho , aquenr ta-o ao fogo, e sahirá hum licor, como huma lagrima ; com esta , em quanto está quente, pegaras a figu¬ rinha sobre a peça , fazendo que es¬ ta , e o que engastas , estejaõ quen¬ tes i porque de outra sorre se naõ pegará ; e se na dita massa quize- res pôr côres , o podes lograr , em quanto a estás moendo com a cla~ ra : estas cô^es devem ser de mi- nhafura , porque de outra sorte, per- d.erás o dinheiro, e o tempo. Esta tnassa he da que fazem os cama- fços , e outros lavores taõ exqui- zitos, como admiráveis.
/
( 5
' 96.
homem , estando dU reito possa ter a cabeça , <? o* pés em alto.
Seria necessário por-se no centro da terra , e se se pudera pôr huma es¬ cada no mesmo centro , sucederia 9 subir dous homens no mesmo tem¬ po , caminhando para duas partes diametralmente opostas.
97-
Para encher hum tonel de qualquer licor pela torneira .
Farás hum canudo de lata , que fa¬ ça cotovelo , o qual entre na tor¬ neira, o comprimento chegue até o alto do tonel , e no cabo tenha hum funil ; e por este encherás o tonel , e estando até, o que he alto o ca* nudo , ficará cheio.
C 70 )
98.
para construir hu-ma lanterna pa« ra trazer na algibeira, sem que se possa apagar , ainda que vá ro¬ dando pelo chaõ,
Farás de folha de lata huma lati— terninha, que tenha seu buraco pa¬ ra pôr o azeite , e a torcjda , logo toma hum annel de lataõ , ou de ferro , que tenha da parte de den¬ tro dous eixos diametralmente opos¬ tos , nos quaes ajustarás a alenter- na , de modo , que esta pelo seu pezo fique em equilibrio entre' os dous eixos , e possa voltar no an¬ nel , conservando sempre a sua si¬ tuação horizontal ; assim como nos navios tem agulha de mariar, que he com dous circulos semelhantes, que servem para a sustentar hori¬ zontalmente. Este primeiro annel de¬ ve ter outros dous eixos , ou pon¬ tas , diametralmente opostos, e apar¬ tados hum do outro 90. gráos , que devem entrar em outro annel da mes-
ma matéria. Este segundo annel de¬ ve também ter outros dous eixos , ou pontas , metidos em outro cor¬ po conca vo , que abrace toda a len- iterna , a qual pelo meio destes ei¬ xos possa voltar livre mente por den- Iro , ao redor dos seis eixos , os quaes daráo á lenterna seis differentes si¬ tuações j que saõ , acima , e a baixo , diante j e a trás, á direita, e a es¬ querda , que servem sempre para a sustentar horizontalmente. Esta lan¬ terna achando-se no meio , se acha sempre em seu centro da gravida¬ de quero dizer, que o seu centro semr^fè se acha na linha de dire¬ ção [ que he o motivo, porque o azeijte se naõ póde verter , por se a- cliar sempre em huma situaçaõ ho¬ rizontal-
99'
Para tirar huma barca carregada do
fundo da agoa> ou hum navio &c.
\
Sucede fundir-se huma b3rca car¬ regada , e hca no fundo do rio } e
( 72 )
' t
para que se na 6 pérca a sua merca* doria a podes tirar para a praia fa¬ cilmente com a ajuda de duas bar¬ cas, hum a vazia , e outra de pedras, nesta fórrra: Aterás estas duas bar¬ cas çom aquella , >qus está no fun¬ do do rio, c queres tirar, com cor¬ das de esparto , cu linho, mas bem amarradas ; e havendo deixado a cor¬ da da barca , que esta carregada de pedras , descarregarás na que está va¬ zia , o que fará levantar alguma cou¬ sa a outra barca , e arrahirá a si a que está na agoa , e fará , que a que está carregada , se vá afundando : puxarás , logo a corda da carrega¬ da , e a descarregarás na que está vazia , a cujo theor , estando leve levantará, a que está no rio, e bai¬ xará , a que está carregada ; e as¬ sim prosegue em carregar , e des¬ carregar , puxando , e amarrando bem as cordas , que em breve tempo fa¬ rá sobir a que está no fundo , pou¬ co a pouco até á praia , por cujo meio , a pddes descarregar.
r
<
Tara conhecer de duas qualidades de agoa , qual_ he a mais leve sem as pezar.
Porás agoa em dous , ou mais va- zos , segundo as agoas , que tens; e para conhecer , qmd he a mais leve, lhe põe dentro hum pedaci¬ nho de taboa de pinho , o qual se nao fundirá de todo, sendo certo, que se fundirá menos na agoa pe- zada , do que (na agoa mais leve. Donde conhecerás por isso , que aon¬ de este corpo se fundir mais , he mais leve ; e por conseguinte mais salutifera para beber.
IOI.
Para furar huma taboa com hum fundo de vela.
C^arregarás a espingarda com pól¬ vora , e em lugar de bala , lhe po- fás hum fundo , ou coto de véla \
atira contra alguma taboa , e verás como o coto lhe faz hum buraco, como se fora bala.
102.
Para fazer tochas de vento , que sè nau apagao , nem por agoa nem por vento .
TP oma huma caldeira , e a põe em fogo de carvões acezos ; lança- lhe logo dentro salitre , outo Onças, enxofre huma libra ; calafonia qua¬ tro onças, pez duas onças , cera hu¬ ma opça, e termenrina duas onças;' estando tudo isto derritido , porás dentro trapos velhos de linho, bem enxutos, e limpos, e em faha de linho, estopa seca, e limpa ; revol¬ ve até , que o linho , ou estopa es- tejaõ bem inchados , e embebidos desta compoziçaõ: estando quente, a irás pondo ao redór de hum páo, em fôrma de cirio; e quando esti¬ ver enxuto, o ata com hum fio de arame ao redor para que a compo-
( 7? ')
ziçao se pegue bem ao páo. Para a apagar a meterás na area , ou em cinza , revolvendo-a sempre.
103.
Outro moâo de quatro pavios.
TPoma cordas de linho canhamo ; velhas, e as poe de molho em agoa de salitre ; estando bem inchadas , as deixa secar ; depois as poe em enxofre moido , e polvora ordinaria , tudo destemperado com agoa arden¬ te : toma depois partes iguaes de enxofre, alcanfor, termentina, etrcs partes de cera, e pez; e misturan¬ do estes ingredientes, e derretendo- os lhe porás dentro as cordas &c. e em fim farás as tochas, tendo cui¬ dado de que sejaó de quatro pavios ; e no veio da tocha acrescentarás cal , e tres partes de enxofre. Apagala- lias como as outras.
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( 76 )
104»
Para imitar hum relâmpago no apo* zento.
Deve o apozento ser escuro, e pe¬ queno , de sorre que o ar naô enrre nelle; disposto assim , porás em hum copo de cobre espirito de vinho, e alcanfor , o que ferverás até que na¬ da fique no copo. Se entaõ entrar alguém no apozento com huma vé- Ia aceza , se formará de improvizo hum relampago, que naó fará dan* no aos circunstantes, e menos á caza.
i . ’ • t
105.
Segredo para fazer neve em tempo de carestia .
T'- ' - N : . ^
orna hum cantaro de barro de
Estremoz , ou outro semelhante, e o enche de agoa , que esre;a ferven¬ do ; lança-lhe dentro quatro onças de salitre refinado, e meia onça de lirios de Florença; tapa bem o can-
< 77 )
taro , e com huma corda o deita em o poço , ficando dentro da agoa , por duas, ou tres horas; e no fim des¬ te tempo ficará feito hum pedaço de caramelo; sendo precizo quebrar o cantaro para que o caramelo se tire,
ioó.
Para conhecer , se o leite tem agoa*
Lmnçarás huma gota de leite so¬ bre a unha do dedo pollogar; por ser mais larga ; e se o leite he pu¬ ro , tardará muito tempo, em cor¬ rer para fora ; mas se tem agoa , no mesmo instante correrá , porque a agoa o faz liquido.
107.
Para que as pessoas , que estiverem em hum apozento> sevejaõ feas , e espantozas .
TToira agoa ardente, e sal com- anum , porém menos sal , que agoa
( 78 )
ardente; porás isto em huma caçou- Ia , e esta sobre a copa do apózen- to ; e com destreza procura apagar as luzes, que nelle houver; e logo que os corpúsculos do sal , e da agoa ardeme se forem evaporando , e espalhando pelo apozento, aonde o -ar está detido , pareceraô as caras dos convidados feas, negras, e espanto- zas.
108.
Tara imitar a cor das pérolas . Cou¬ sa nunca vista»
]VIoerás separadamente huma par¬ te de Bismur, e duas de sublima¬ do corrosivo ; estes misturarás, e po¬ rás êm retorta de vidro com o seu jecipiente ; o prcducto desta disti- Jaçaõ te dará huma manteiga , ou especie de gotr.ina , que distilarás segunda vez : por esta segunda dis- tilaçaõ terás outra manteiga , como a primeira , e ficaráõ no fundo da retorta huns pós mui finos , côr de peolas Orienta es gíutinozos 5 e sua-
yes ao tacto ; á terceira distilaçaó te¬ rás huns pós mais finos, e mais for- mozos. Em fim repete estas distila- ções, até que a manteiga se tenha con¬ vertido totalmente em azougue , e pós de pérolas: estes pòz te pódem aproveitar para imitar as pérolas , para pintar qualquer peça , bem bur- nida , e liza , que parecerá huma pe¬ ça de pérola. He certo, que se naó póde ver cousa mais digna na ar¬ te j e he conveniência , &c.
109.
Moldes fara vazar 0 metal f ara fazer os espelhos con cavos , e es¬ féricos,
TToma lodo , bem enxuto, passa- o por pineira em pós finíssimos , pa¬ ra lhe tirar toda a sorte de greda , e pedrinhas , &c. põe-nos logo em agoa , até que fiquem em consistên¬ cia de mel ; passa-os depois por ou¬ tra peneira mais grossa, e tema es¬ terco de cavallo , e bôrra , e mista-
Ç8o)
tatás isto com os pós, até que tu¬ do faça hum corpo de mediana con¬ sistência : se te parecer, lhe acres¬ centarás pós finissimos de ladrilhos velhos; depois toma duas pedras grandes , das que fazem outros la¬ vores , e nellas abrirás os moldes ; cm h ii ato seja convexo, e em outra concavo ;logo esfrega huma com ou¬ tra , até que ajustem o melhor, que pider ser,; e para abreviar , mistu¬ rarás arca molhada entre as duas pe¬ dras , a fim de gastar mais de pres¬ sa a pedra: estando estas pedras as¬ sim dispostas, lhe porás em cima a sabida massa, e com hum páo li¬ xo , e redondo a irás rolando por ci¬ ma , e fique bem espessa para ser o espelho forte, estando bem prepara¬ do , lhe porás em cima pós de ladri¬ lho , para que se naó pégue ao moU de convexo, ao qual farás tomar a, fórma , ajuntando as duas pedras. Quando estiver enxuto, o esfregarás com sebo , e o cobriras com a sa* bida massa , para que faça , como fcmna. tapadoura aos ditos moldes;
C
(Sr )
depois de estar seca, a tira, porquê já terá forma do espelho, que ocupa o lugar , que está entre o molde , e a tapadoura; mas para estorvar, que esta tapa doura na 5 caia no fun¬ do do molde de pedra, lhe farás huns beiços, que dobrem sobre o molde de pedra, de modo, que estando pos¬ to no molde, ocupe o mesmo lugar, que quando estava o molde do espe¬ lho ; faze-lhe dous buracos; para que quando lhe lançares o metal , possa sahir o ar, que está comprimi¬ do no molde.
no.
€ompoziçao para fazer os espelhos de metal
JL orna cobre novo, outo partes, es¬ tanho fino, duas partes, marcasira , cinco partes ; funde estes mareriaes todos juntos ; estando tudo fundi¬ do lhe porás dentro huma barrazi- nha de ferro, por hum cabo ; e de¬ pois deofna nota se está demaziada- mente vermelha, e lh# acrecentarás II, F
hum pouco de estanho ; e se for de- maziádamente branca , lhe acrescen¬ tarás cobre; até que a côr seja con¬ veniente; e desta matéria , bem fun¬ dida , vazarás nos ditos moldes. Co¬ nhecerás , quando se acha em estado de vaza-la , que deve ter o olho cla¬ ro , e limpo , estando no crisol a fo* go de fundição, e naô fas fumo al¬ gum.
ui.
Arte para pulir os ditos espelhos dé metal .
TT irado o espelho do molde, o se¬ gurarás no molde de pedra com pez , ou taboas, e prégos ; e o irás burnin- do com gesso reluzente, até que fique bem lizo : estando nesta forma, dei¬ xarás enxugar o molde de pedra ; e depois de enxuto o embrulharás em papel branco, sobre o qual poráiso espelho ? e com tripol, estanho cal¬ cinado esfregarás o espelho, até que fique bem burnido, e lusirozo.
( 83 )
112. >
Para construir hum pezo , que se possa trazer na algibeira , e peze de hum a até cincoenta libras.
Faze hum cano de cobre de compri¬ mento .de seis pollegadas , e largo pouco mais, ou menos de outo Ti¬ nhas ; e o estremo tique aberto, para servir por dentro hum parafuzo deaço, feito em fórma de sacatrapo, tendo no cabo hum buraco quadrado^ por onde passa huma vara de cobre 9 também quadrada, que atravessa o parafuzo. Em huma parte da vara se vem as linhas, ou libras assinaladas , as quaes estão igualmente distantes humas das outras, segundo o pezo , que te parecer em hum gancho, que hade ter no cabo debaixo, o qual pezo faz estender b parafuzo, e conscquen» temente sahir fóra huma parte da vaia , segundo o pezo, que tem o gancho. Esta vara deve-se segurar de cima com huma argola , e ter no al¬ io hum annel. O modo de se valer
F 2
( 84 )
deste pezo será facil conbecer~se pela sua constrgcçaõ ; e nesta forma se podem fazer muitos. Note-se, que a libra Portugueza, e Castelhana he de 3 6. onças; a qual se divide em dous marcos , cada hum de 8. onças : a on¬ ça se devide em ió. dramas, ou 8, outavas : cada drama em 36. grãos , e cada ourava em 18. grãos ; cada graó tem o mesmo pezo de hum grao de trigo. A libra de Paris, Ruao, , Besançon, e Amsterdão he de 16. onças. A de Leao de França, Avi- nhaõ, e Toloza , de 13. onças. A de Marselha , e Rochela de 19. onças. A de Milaõ, Nápoles, e Veneza de <9, onças. A de Mes?ina, e Gênova de c. onças, e tres quartas. A de Floren¬ ça , Liorne , Piza, Saragoça, eVa~ lença de 10. onças e meia. A de Tu¬ rim , e Modena de 10. onças, e meia. A de Londres , Anvers , e todo o Flandes, de 14. onças. A de Basiléa, Berne, Francforte, e Norimberga de 16. onças, e quatorze grãos. A de Genebra de 17. onças.
Tara fazer vinagre for te em breve tempo.
IVtanci;
la fazer hum copo, ou vazo de madeira de freixo ; lança-ihe den¬ tro vinho j e logo se convertera em vinagre.
ií4.
Para fazer hum lindo ouro de Pra - gmatica .
T- orna ouro de Alemanha em paes, prata em paes , partes iguaes •, moerás isro separadamente sobre a pedra, até que esteja mui fino; logo toma agoa, e ihe porás dentro huma pouca de gomma , e hum pouco de açaíraÓ torrado , deixando-o assim em iu* fuzao por espaço de hum dia ; depois toma os pós de ouro, e prata, e des¬ tempera-os com esta agoa, e terás huma linda cor de ouro fino, que ninguém o julgará por falso; da-lo- has cüm hum pincel, ou brocha ,
( 86 )
sobre, o que quizeres. Nota, que que¬ rendo-o de melhor cor, lhe acrecèn- tarás hum pouco de ouro fino ; e naó tens que pedir mais.
JModo de dourar com suro fino , e com pouco gasto.
D arás á peça , depois de bem bur- nida , duas , ou tres mãos de agoa de go.nma , e açafrao, como acima se disse ; estando enxuto, toma huma brocha , a qual porás em hum papel, ou caixa , que tenha ouro fino em pó finíssimo, e com el!a esfrega bem a peça , que ficará toda dourada com pouco gasto > e grande facilidade. Tu .lo isto acontece pela virtude do açafrao , que abraça bem a cor de ouro, por pouco, que seja. Este se¬ gredo he ádmjravel. Nota, que se te achàres ccm ouro descorado, o podes sobir com hum pouco de açafrao, e será maravilhozo,
I
( 87 )
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iró.
Para tingir madeira da c&r , que quizeres*
Toma pela manhã esterco fresco , que a noute antes fez o cavállo \ e procura que seja do mais húmido, com a palha , &c; o qual porás so¬ bre huma taboa alta, atravessada^, e debaixo hum alguidar , para que re¬ colha, o que for coando do dito es¬ terco : coa este banho j e logo por cada taça grandezinha, lhe porás den¬ tro o grosso de hujna avelã de pedra hutne , e outra tanta gomma , em cu¬ ja agoa desfarás-as cores, qüequize* res , dispondo difterehtes vazos, ou taças, para varias cores, nestes va¬ zos , ou taças poras os pedacinhos d-~ madeira , que queres tingir : estando ao lume, ou ao Sol , tirarás de quan¬ do em quando aquellcs pedaços , e os pee de parte, deixando os outros, que quanto mais estiverem, tomarao cutra cor dos mais, e sera boa.
( 88 ) ny.
% ^
Jgoa para tingir verde,
TToma vinagre branco, e forte, e põe-lhe dentro çnrro de arruda , ver- dçte, gomma A rabia , e pedra huríie ; deixa isto em infuzaõ, dous, ou irais dias; logo lhe lança hum pou¬ co de açafraõ moiclo *, se he de veraõ, o põe ao Sol ; e se he inverno, meia hora ao lume. Este he hum verde mui sutil e transparente. Dâ-lo-has com algodaõ.
1 1 8.
Tara fazer pérolas, que pareçao na - turaes .
1 orna da terra , de que fazem a obra de Talavera , que seja bem limpa, lavrada , e com esta formarás as pé¬ rolas, fazendo-lhes hum buraco ; e deixa-as secar ao Sol, ou no forno. O b^rro de cue fazem as púcaras da Maia póde substituir c sta terra.Toma depois boio Armênio , e clara de ovo
( 89 )
“V
misturados , e da-lhe huma maó dis¬ to ; e logo lhe poe em cima pães de prata fina; e quando vires que estão enxutas, as burnirás com a pedra : lo¬ go toma cortaduras de pergaminho , que sejaô limpas e brancas, as quaes porás em huma panela vidrada com agoa a ferver ; até que tenhaõ al¬ gum corpo: entaõ côa esta cóla ; e quando quizeres uzar delia , farás que esteja algum tanto tibia ; depois toma as pérolas enfiadas em hum fio de arame, para que se naó tape o bu¬ raco , e as lança nesta cóla; e no mesmo instante as tira fòra , vol¬ tando-as de alto a baixo, para que a cóla nau pate em huma parte* Póde também servir para algumas peças , que se fazem lavrar para trastes cazeiros.
I
( 9° )
II9»
Para ter , ou fazer nascer flores àe todas as cores,
TPoma terra muito grossa, e apõ¬ em ao Sol, para que séque , e se pos¬ sa fazer em pó muito sutil; esta po¬ rás no craveiro em que quizeres pôr as flores, que haõ de ser brancas de sua natureza , para que se possaÓ con¬ verter em outra côr ; planta neste cra¬ veiro o tallo, que quizeres, adver¬ tindo que o naó deves deixar parti¬ cipar de outra agoa, ou humildade , que a que direi. Para vermelho, po- rásj páo do Brazil a ferver em agoa raspado meudamente, até que se con¬ suma huma terceira parte, e com es¬ ta agoa fria rega a planta pouco a pouco de manha, e de tarde até que a dita planta esteja pegada. Para ver¬ de , toma grani lha madura; e se es¬ ta estiver amarelía , quebra-a algum tanto, e a póe a ferver em agoa , e se tornará verde ; e com a que naó está madura, amarello. Para negro ,
( 9i )
galhas, vitriolo, ou caparrozas. Nao deixes o craveiro ao sereno , para que naÕ lhe caia o orvalho. Advir¬ ta-se , que naó se tarnaraõ nesta côr todas aí flores; mas em partes terão a própria côr ; e assim terá duas co¬ res ; e quem a quizer de tres regue pela manha de huma côr, á tarde, de outra, e á noute , de outra. A plan¬ ta , ou flor, toda negra, ou amarei- la , ou vermelha se póde mudar de côr na fôrma referida, e parecerá pintada.
1 20.
T*- k !( S I
Arte para tingir a cera de todas as cores para vazar.
JVÍoerás sobre a pedra alvaiade, le¬ go fundirás a cêra, e a misturarás com alvaiade, e huma pouca de ter- mentina clara. Se a quizeres verde , lhe porás verdete, sutilmente moido, e° mesclado com terrrentina ; para vermelho vermelhão , &c, para azul Berlin , &c. e as mais cores a este theor.
v
Para tingir pentes , caixas , e ou¬ tros lavores de osso , que parecerá concha,
T orna cal , Jithargirro de ouro , partes iguaes , e o faze , como un¬ guento liquido, com cenrada, oa agoa de cal , e disto porás sobre a obra , procurando imitar as man¬ chas da concha \ e fique grosso as costas de huina faca ; deixa-o en¬ xugar, e ficará tudo da cór da con¬ cha } e he de pouco gasto.
122.
Para fazer penetrar as cores den*
tro das pedras .
JL oma mármore branco fino , e no vo , e o põe sobre as cinzas quen¬ tes, para que a humidade , que tem reconcentrada , saia , ou se enxugue ; e em quanto está assim quente , pin¬ ta com as côres seguintes. Para ver-
jnellio , toma sangue de Drago moí¬ do com oleo de petrolio; logo dei- xa-o de infuzaô por dous dias. Pa¬ ra amarelo , gutigambar moido , com oleo de petrolio; e o mais &c. Pa¬ ra verde com anil , e alvaiade, &c. Para azul , com anil sómente, &c. Todas estas cores devem estar bem moidas , e mescladas com oleo de pe¬ trolio, das quaes pintarás, ou imi¬ tarás sobre o mármore , o que qui- zeres. Nota que o mármore ha de estar quente , e o irás revolvendo ao fogo , aquenrando-o , logo que es¬ tiver piniado, para que a cor pene¬ tre dentro da pedra : quando as co¬ res estiverem bem enxutas , o bur- nirás coro a pedra porne , unta com azeite , e ficará muito lustrozo.
123.
Massa para fazer obras de meio relevo.
TP orna pedra cristal , e a faze no forno dos vidremos , como se cal-
( 94 )
cína o gesso , até que esteja bem vermelho , e o farás em pó impal¬ pável , e misturarás com verniz ; e nesta massa porás a côr, que qui- zeres , para imitar as pedras finas ; desta executa á tua fantazia , o que quizeres; espera , que se enxugue, e fique, como pedra ■ logo pulirás
com a pedra de burnir , e verás o * *
p redigi o.
124.
Tara pintar sobre vidro : couza cu - rioza,
TToma hum pedaço de cristal , ou vidro , bem limpo , do tamanho , que quizeres, e o poem sobre huma trem- pe a aquentar ao fogo ; e se he ve¬ rão ao Sol : logo que estiver quen¬ te , de sorte que se lhe possa sofrer o dedo , toma termentina , e esten¬ de-a sobre huma parte do vidro ao so lume, para que esteja sempre quen¬ te \ terás já prevenida huma estam¬ pa , á tua idéa , a qual tenha esta¬ do 24. heras em agoa , ou algumas
( 95 )
horas em agoa forte; enxugar-lhe- has a demaziada humidade entre huns pannos de linho , depois a pe¬ garás sobre a termentina pouco a douco; e quando conheceres que es¬ tá bem pegada , e enxuta , lhe ti¬ rarás o papel por detrás esfregando com hum panno de linho., molha¬ do em agoa , pouco a pouco , e desta sorte lhe irá cahindo todo o papel , e só ficará o debuxo sobre o vidro ; a cuja imiraçaõ podes pin¬ tar com cores a oleo , que em ou¬ tra parte desta obra acharáfe. Quem souber executa-lo , logrará hum en¬ tretenimento proveitozo.
125.
Para pintar , e esmaltar madei¬ ra , cobre , lataÓ , &c. de todas as cores .
T rabalhada a pega , que quize- res pintar , a qual seja bem liza , e burnida , lhe darás huma msó de cóla de luvas , ou pergaminho, e lo-
X
( )
go prepara o seguinte: cascas de ovo em pós impalpáveis , e gesso mata também muito fino, destem¬ perados em agoa commum : e guar¬ dada esta compoziçaõ em huma re¬ doma de vidro , lhe póe por cima huma pouca de agua , até cobrir a compoziçaõ : quando quizeres em¬ pregar esta mistura , a destempera¬ rás em agua de cóla de peixe , que naõ esteja muito espessa ; e com is¬ to darás á peça huma mao , e a deixarás enxugar ; isto repetirás por tres vezes, e á ultima vez pinta com cores ordinárias de minharura , o que quizeres; e quando estiver seco, lhe darás cinco, ou seis mãos do se¬ guinte verniz : toma gomma laca hu¬ ma onça , grasilha meia onça, es¬ pirito de vinho desfleimado , meia libra ; moe as gommas , e passa-as por peneira separadamente , e para ficar a cor de laca, a porás primei¬ ro em huma escudela com cenrada doce , e quente por seis horas , que esclarecerá : logo a tira , e a porás com grasilha , e espirito de vinho
( 97 )
V
em redoma , ou vazo bem tapado ;
e desta sorte o deixarás ao Sol por dez dias , ou doze; ou bem em di¬ gestão sobre cinzas quentes; e es¬ tará para se uzar delia. Se quizeres, que esteja vermelho , porás duas dratbas de sangue de Drago : se amarelo, hum pouco*1 de. a^afraõ : se de purpura , vermelhão, &c. e o mesmo de outras cores.
126.
x ' ~ ' \ «
Para fintar huma estampa em mi¬ niatura , que parecerá panno de linho.
T oma termentina clara , faze-a der¬ reter ao fogo , e eoi estando quen¬ te , darás huma maò com a brocha sobie a estampa, tendo-a ao calor do fogo , para que a termentina a penetre ; e quando a estampa ficar de todo transparente, elustroza, pintarás pelo revéz com as côres de minia¬ tura, tendo a estampa voltada para a luz, para veres , aonde odes as cô* H. G
( 9^ )
re?. Para fazer cor de carne , com alvaiade , vermelhão , e laca , ou carmim; destemperados com agoa de gomma , e alquitira. O anil se prepara com agoa , e se côa por panno de linho, e séca : este mis¬ turado com alvaiade fas azul ; mis¬ turado com alvaiade , e carmim, mas pouco anil fas escarolado ; e mistu¬ rado com carmim fas roxo ; mis¬ turado com çutno de limões , fas vermelho ; ouro pimente , e anil fas verde ; e pondo no ouro pimente hum pouco de zarcaõ, faz hum amare¬ lo formozo,
127.
Para tirar debuxo , ou copiar hum livro propiamente .
TToma sabaõ , e o desfaze em cen- rada forte ; logo toma deste sabaõ liquido , e unta hum caderno de pa¬ pel branco , e porás este em cima do debuxo , apertando com huma imprensazinha , ou com a maò , e
, I
( 99 '
, deixa-o assim hum pouco, depoís fira o cadernò pouco a pouco, pa¬ ra que senão rompa, .e lograrás o dito: depois enxuga o papei ao lu¬ me para que o sabao se desvaneça.5”'"
128.
Para dar cor a hitma imagem bu¬ rilada em cobre .
TPoma sal commura, sal armoni- co , outro tanto vitriolo Romano,
S de Cbypre , partes iguaes , encor- pora todas estas cousas em pó , e as póe em hum vazo evaporativo (mui conhecido dos Quimicos, ) e quando conheceres , que esta com- poziçaó começa a fumegar, toma as pranchas de cóbre , e póe-nas sobre os vapores , que sobem do dito va¬ zo , que os saes , e vitriolos , que con¬ tém sustancialmeme as suas cores, daráó côr ás referidas peçás.
G %
( Iôo )
129.
para ver montes , estatuas , cas¬ telos , ruínas , dV vidro .
TPoma huma redoma de meia li¬ bra 7 a qual encherás de agoa cla¬ ra \ toma logo hum pouco de aça¬ frão , e embrulha-o em hum tra pi¬ nho , e depois de atado , o porás em hum vazo cheio de agoa , e o deixarás , até que a agoa se taça smarela ; entaÕ tomo huma , ou duas claras de óvos frescos, e as põe, dentro da agoa amarela doaçafraõ , e com hum pãozinho o irás mexen¬ do para que a agoa se encorpóre com as claras • e estando enccrporadas , '3ança isto na redoma pouco a pou¬ co , que está cheia de agoa , e no mesmo jnstante oomeçara no fundo a levantar-se a clara limpa, a quaj irá formando difterentes figuras , taõ agradaveis , que causarao admira- çaõ , a quantos o virem. Em lu¬ gar de açafraõ lhe podes dar @u*
tra cor , como ouro , purpurina , prata , vermelhão , &c.
13°.
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Para reprezentar ot quatro ele¬ mentos.
T,
oma huma redoma de vidro cris¬ talino, ou de cristal fino algum tan¬ to comprida , e quadrada , ou redo¬ ma ; dentro lhe porás agoa ardente 'da boa , oleo de termentina , oleo de tarraro , e fezes do mesmo tar- taro , misturadas com hum pouco de verdeíe moido , partes iguaes; e quando estiver tudo dentro, sela a redoma hermeticamente , e verá* es¬ tes licores separados de sorre que hum representará o fogo , outro o ar , outro a agoa ; e outro a terra.
( 102 )
I3I*
Vara limpar os marcos dourados ? ou cornijas .
* jPoma huma iibra de sabao bran¬ do , duas dramas de açafraõ , en- corpora tudo isto junto, e com hu- ma brochazinha molhada neste ba¬ nho a irás passando sobre as corni¬ jas, ou marcos; terás logo prom- pta huma pouca de cenrada doce, da qual com outra brocha iras re¬ tocando os ditos marcos , ou cor¬ nijas ; depois toma huma esponja e molhada em agoa commurn^ os lava com destreza , que pareceraÕ no- yos.
132.
Vara dourar estatuas de relevo , ou estuque,
: Toma pontas de carneiro, ou de vaca , e queimando-as porás as cin¬ zas em agoa , que ferveras ao lu* me , até que se consumâ & deci-
( lo? )
ma parte fe com esta agoa doura* rá s as estatuas, ou outras obras.
Para que de huma fonte saia fogo,
rjp
JL ema hum ovo , vaza-o, e en- cheo-o de cal viva , enxofre , e al~ canfor , partes iguaes ; tapa bem o buraco com cera , e logo o pôe na agoa , que em continente verás sa- hir fogo. He experimentado.
134.
Verniz para dar ds pinturas de patwo de linho .
T' oma oleo de nozes claro, e lhe pôe em infuzaÔ almeciga bem su¬ til , e passada por peneira ; pôe isto ao fogo, e em quanto está ferven¬ do, lhe metre hum pedaço de pe¬ dra hume queimada , e logo o côa 4 e para o empregar, esteja quente, para que possa correr a brocha, e fique o verniz igual.
( J04 )
ip-
Cdla para encolar mármore , ou ou¬ tra cbra de escultura .
T V- 4'- ' " - , -
oma pez grego , huma pouca de cera amarela , e huma pouca de ter- tnentina tudo á tua discriçaãy- der¬ reterás tudo junto, g estando fun¬ dido toma pòs de mármore mui fi¬ nos , mais quantidade , que a dita mistura , e o irás lançando dentro pouco a pouco meneando-o sempre , e o porás ao lume até que conhe¬ ças que tem tomado corpo muito bem : o que houveres de encolar , ha de estar também quente.
136.
- ' r-
Para limpar qualquer obrd dou - rada velha em madeira.
T oma migalhas de psÕ quente , logo que sahe o forno, e com es¬ tas irás esfregando o ouro ; porque ainda que esteja cheio de sujidade
de moscas , se limpará : mas adver¬ te- , que deves esfregar com destre- za , para naõ tirar o ouro, que Jhe tirará a humidade do pao. Se o sa- bes fazer , o pulirá depois maravi- Ihozamente ; e naó necessitas de hir ás Minas.
J3 7-
Para escrever sobre pedra ou la¬ drilho ; cujas letras senaÕ verão até que queiras .
Escreve sobre a pedra , o que qui- zeres, com sebo de carneiro , e naõ appareceraõ as letras : põe-lhe lo¬ go em cima vinagre forte, e entaõ appareceraõ de relevo.
i38- ;
P ara que as pinturas fier antigas que sejao pareçao novas.
nr
-i- orna huma clara de ovo bate-a bem , e faze , que- caia em outro prato, e aqui lhe porás hum pou-
( io6 )
co de açúcar de pedra em pó ; e çu* mo de limões ; neste banho molharas huma esponja , com a qual lfmpa a pintura com suavidade havendo- lhe primeiro sacudido o pó.
J39*
Outro .
T aõbem tomarás azeite , e agoa ardente juntos , disto embebe huma esponja, e limpa a pintura; logo to¬ ma hum trapo de la , esfregarás do¬ cemente o panno de linho para lhe tirar o azeite, e ficará como nova.
/
140.
Tara branquear huma estatua de mármore velha , ou outra cousa de mármore , ou pedra.
P rimeiro sacudirás o pó á estatua , e logo a lava com agoa clara ; de¬ pois porás em huma escudela fel de touro , e hum pouco de ocre 3 e des-
V
( 107 )
ta compoziçaõ darás á estatua , ou figura , ainda que seja de qualquer cor , com huma esponja ; e ficará beiia , como nova.
141.
Agoa para abrir sobre ferro.
TPoma sal ammoniaco sublimado , e verdete, partes iguaes , galhas , e vinagre forte ; encorpora tudo isto junto em consistência de julepe; logo prepara este verniz , que se seque : cera virgem , pez grezo , raspa de pi¬ nheiro, e termentina : junta tudo isto, posto ao lume , e assim quente o porás sobre o ferro com huma bro¬ cha ; depois com o buril debuxa sobre este verniz, o que te parecer; Jogo lhe porás em cima da agoa so¬ bre dita , e em dés , ou doze horas fará o seu efeito.
( io8)
142.
Para imitar a cor de qualquer me¬ tal sobre madeira,
• . - • / 1
TP oma pedra de toque, e a moe so¬ bre a pedra finissimamente com cla¬ ra de ovo ; escreve, ou pinía com isto \ e quando estiver enxuto, o bur- nirás com ouro, prata, ou outro me¬ tal , que quizeres, e será admiravel. Isto póde servir para muitas idéas.
143-
w .• — ' '-i '
Para encolar alabastro.
*Toma leite coalhado , côa-o em hum panno de. linho, e lhe porás den¬ tro cal em pó. He experimentado.
\
(10 9 )
I44-'
Obras , que douradas, parecer aõ de
relevo. .
_ . | *
TPoma huma cabeça de a^0*s pe(ja. pa-a bem , e a m oe depoi^pncfos, co- çumo , o qual encorporaráLVg.ing.^gg ma pouca de tinta ; e com isto esgomo ve , ou pinta , o que quizeres , e xa-o enxugar : repete em pôr desta massa , até que tenha o relevo, que desejas ; logo com o teu bafo aquenta a parte, e lhe*poe ouro em cima, e será de relevo.
144.
Lacre para fechar cartas sem fogo,
oma cóla forte da maia limpa, e clara , huma libra, gomma Arabia huma libra, vermelhaô ,'tres bnças aguçar fino, tres onças, agpa rozada, tres onças *, porás a cozer a cóla, a gomoaa , e o açúcar tudo junto em huma panela vidrada , como quem
í
Vj
/
( no )
faz cola , e depois de lhe tirares a es¬ cuma lhe porás o vermelhão, e a agoa rozada meneando isto com hum páo- ^Inho , até que tndo esteja encorpo- rjn logo lança isto sobre huma J. oma'’; taboa, que esteja untada 'bre a ped de amêndoas , e tenha ao ra de orn beiço, para que a massa iste corra fóra ; enta6 formaras os mos á tua fantazia. Em lugar de vermelhão , lançaras as cores , que quizeres.
145'*
Para fazer tinta da china .
Toma caróços de maracotoens, ou de damascos, quantos quizeres, e os queima \ estando bem queimados , os moerás sutilmente com agoa ar¬ dente commum sobre a pedra ; toma huma parte do moido huma quar¬ ta parte de pós de sapatos ; e logo gomma Arabia, que desíaras em agoa^ até que fique, como cóla, mas nao muito espessa pondó-lhe dentro hu¬ ma pouca de pedra hume, depois to-
( III )
ma os dous negros a cima ditos, e os amassarás com esta agoa sobre a pedra, acrescentando-lhe hum pouco de mel , hum pouco de sabad, quan¬ to baste , e açúcar em pedra, em es¬ tando tudo bem moido farás os peda¬ cinhos quadrados, ou compridos, co¬ mo melhor te parecer , deixa-ios-has secar á sombra, e se emprega, como he costume. Este segredo só te fará poderozo.
146.
P a ra fazer hum f os foro luminozo>
T orna vinte libras de ourina de ho¬ mem saô, e que nad beba muito vi¬ nho: e a porás em huroa panela vi¬ drada a fogo lento , até que dque em consistência de mel : entad tirarás es¬ ta massa , e a porás em retorta , ou lambique bem lutado, e esteja em ci¬ ma sobre o seu fornilho; em se co¬ meçando a aquentar lhe irásaugmen- tando fogo até o primeiro graó , e es- te grad destilarás até a sequidad : de¬ pois quebra a retorta, tira-lhe as fe*
/
( >12 )
fjíQS y e estas calcinarás até que fiquem em Consistência de pedra : tomá es- M pedra , e a p6e em huma redoma de cristal em que a agoa sobrepuje seis dedos ; logo a seila hermetica¬ mente , e a tapa com hum panno , e fique sempre bem tapada ; e quan¬ do quizeres que alumie , descoore a redoma por meio quarto de hora, e tapa-a outra vez \ que isto teaurará a luz , pouco mais, ou menos, e se ou¬ tra vez quizeres luz, prosegue, que sempre terás a mesma. Nota , que se for muita a pedra durará a luz mui¬ to mais tempo.
147.
Pós y (jM? abnde tocãQ , queiwuiQ , e
abrazaÕ , ou f os foro acuto.
T oma tres gemmas de ovo frescas, q
pedra hume pulverizada, tres orças , mel, duas onças \ porás isto em hu- ma caçoula ao lume, e com huma va¬ rinha de ferro, o irás revolvendo, ate q je tudo esteja bem negro , e seco
( ”3 )
logo moerás isto, e passarás por pe¬ neira ; depois põe-nos em hum ca¬ dinho pequeno, ou redomazinha , e quanto mais pequena melhor, para que os pós enchaõ o vazo , e em banho de area o porás ao lume , cu a fogo forte , e só fique fóra o gargalo do cadinho, ou redomazi¬ nha destapado; quando vires, que começa a fumigar de cor azul , e amarela, em continente a rapa cora huns trapos, e a tira do fogo; es¬ pera que se vá esfriando, e esteja sempre tapado. Deves manejar com tento porque lego no mesmo ins¬ tante se acendem. Quando quizeres vazar destes pós em outra rodoma- zinha, deves po-las boca a boca, para que o ar senaõ faça senhor dos pós. Guarde-se em paragem, aonde naó haja perigo de se queimar madeira, ou cousa semelhante: porque tenho visto algumas desgraças.
II,
H
< ii4 )
148.
Verniz, áe pulimento.
TPoma hum quartilho de espirito de vinho, e lhe lançarás huma on¬ ça de gomroa copál ; duas onças de termentina de Veneza , onça , e meia de gomma laca , e duas onças de grasilha , e fique ao sol, o que for necessário.
; # M9-
Verniz negro , e 'vermelho .
T ;' y ' ./ .
orna hum quartilho de espirito de vinho, duas onças de grasilha, x huma onça de gomma laca em graõ , e outra em taboa , lançarás isto em a metade do quartilho de espirito , pondo-o ao Sol por outo , ou dez dias \ e no outro meio quartilho duas onças de grasilha , pondo-o ao Sol pelo mesmo tempo : se o verniz de gomma laca sahir espesso , lhe ac- crescemarás hum pouco de espirito até que esteja em seu ponto : tam-
bem lançarás neste verniz hum a quar¬ ta de gomma almeciga, e huma on-' ça de agoa raz , meia onça de ter- menrina de Veneza ; e depois de coa¬ do lhe lançarás a termentina , e a agoa raz.
150.
Verniz para imitar a dourado .
TPoma meio quartilho de espirito, huma onça de sangue de Drago , e meia onça de grasiiha ; esta , e o sangue de Drago machucarás, e de¬ pois a$ lançarás em hum frasco de barro vidrado , e o porás ao lume sobre huma trempe com sua cober¬ tura de ferro , e sobre a cobertura huma pouca de cinza molhada , e sobre esta porás o frasco, o qual deve cozer duas horas, ou duas,e meia, até estar em seu ponto. Po¬ rás a aquentar a peça de metal , bu outra cousa da-lhe logo o verniz , e a torna a aquentar.
(
( )
iji.
Verniz para pegar ouro ordinário 9 ou fino .
TL oma quatro onças de agoa raz , meia onça de ambar, huma quarta de goinma laca em taboa ; porás a cozer a gomroa, e ambar em hu¬ ma caçoula de barro vidrada, um tada com pez , e põe tudo ao fo¬ go, até que se derreta; e derretido o encorporarás ; lançando a agoa raz ; depois o coaras , e estará feito.
152.
Verniz branco , e de todas as cores •
HP
JL oma hum quartilho de espirito, duas onças de grasilha , huma onça de borragem , huma quarta de gom- ma almeciga , e meia onça de ter- mentina de Veneza , e onça , e meia de agoa raz : se quizeres o verniz mais forte lança-lhe onça , e meia de borragem no expressado. Pom- Ihe as cores, que quizeres.
- ( ”7 )
153-
Para fazer secante .
T oma huma libra de aleo de li¬ nhaça , cora duas onças dè zarcaó , e pôe isto a cozer em huma panei- la , ou púcara vidrada por tres ho¬ ras. '
*54-
Para encolar mármore .
TPoma huma libra de rezi-na de pi¬ nheiro , cera branca , o grosso de huma nóz ; e desfarás itto tudo jun¬ to ; e quando estiver bem liquido, lhe porás dentro pós de mármore sutilmenre passados por peneira , até que meneando-o com hum páo , ve¬ jas que naõ faz babos , e que ca- Jre em pedaços ; e este he o sinal de ser bom. Nota , que deves aquen¬ tar, o que quizeres encolar.
-•'^5
/
Para dar cor de carmezim a todas as cores .
Ferveras tartaro dentro da agoa, e nesta porás ossos, marfim, cu papel &c. e isto se chama aparelhar - tira- o logo, e deixa-o secar,' e na agoa , que ficar, lhe porás as fezes de co- chinilha, deixando-a ao lume, para que ferva, e tomará hurna linda cor de carmezim. Depois toma a madei~ ja , ossos, marfim, ou papel, &c* e põe-no nesta agoa ; e terás huma „ cousa linda. He verdadeiro.
1 çó.
Para fazer cor de ouro , sem ouro .
F rimeiro terás a peça bem burnida , depois toma verniz fino, e dentro lhe porás gutigambar, e sangue de Drago á tua discriçaô, até que vejás que se parece bem a cor de ouro, e se 112a.
< na )
lys-
( ”9 ) *57-
Para que a purpurina pareça, ouro moido,
T orna a purpurina, e pondo-a ecn hum prato a delirás com ourina duas, ou rres vezes : e quando estiver bem delida, a lava em agoa com muni, até que a agoa saia limpa ; enxuga-a , e accre?centa-Ihe depois hum pouco de açafraõ j que parecerá ouro moido.
158.
Negro perfeito para a madeira.
Darás duas mãos de agoa forte á obra com huma brocha, só naquel- la parte, em que queres dar negro , até que fique seco ; e estando enxuto , lhe darás huma maó com tinta, fei¬ ta de vitriolo , e galhas, mas que naó tenha goinma , porque se a tem de nada serve; e jogo que estiver seca a burnirás com huma pouca de cera, e ficará lusíroza* Este segredo naó he máo.
( 120 )
I5'9*
Para fazer tinta em pós, ou empe > dra.
oma gemmas de ovo, e mel puri- ricado, partes iguais ; mistura-lhe hu- ma pouca de gomma desfeita em vi¬ nho puro , a quantidade , que póde ter o mel , e as gemmas , com outro tanto de pós de sapatos , até que tu¬ do fique bem unido, e. enxuto; e quando quizeres uzar desta tinta , porás huma pouca no tinteiro com vinho , ou agoa , revolvendo-a con¬ tinuamente.
160.
■ /
Tinta da China para sombrear , ou debuxar .
T
oma favas secas tira-lhes a cas¬ ca , e as poe dentro em hum cri¬ zol , e com outro crizol em cima ajustado os cerra com lutum sa- pientiá , ou barro forte ; porás este crizol tapado ao fogo , até que es-
resy para pintar pannos de li¬ nho y que ainda que se lavem nao perderão as cores 5 ... 41
50 Para fazer brancas , e lustro¬ sas as pérolas finas , . . 41
5* Pa? a res t i t uir a cor as pedras t ur que fias y . . . . . . 42
5 ^ Azeite artificial , ãe que hum a onça aura mais que huma libra do commum , . . . . . ^
53 Cimento y ou betume para os ca-
’ e • • . . . 44
5"4 C òmposiçao para irnitar bor da- dosy e outros relevos para dourar ; pratear 5 ou pintar , ... 44
55 Uzo desta compoziçao , . . 4^
56 Para i?nitar as penhas , 45-
57 P dourar ynarmore . 0#
^ . . 46
58 l a?a dourar cristal , vidro , ou
porcelana . . 4£
59 Para dourar metal , 0* pedra y
sem ouro . . .
60 i ara por ouro } ou prata em pó
sobre madeira . . 4g
61 P^nz zPzr ^ ^
, r*> . .
62 í de concha , 4.9
63 Par a fazer prata de concha 50
I 2
/
w
64 Cola para dourar , . . • í0
65 Para que as moscas se naÕ pe¬ guem áspnturas , • * • 51
£6* Para limpar as pinturas , e deixallas , como novas , , . 51
57 Oí/íro melhor , . . . . • 5* 60 P#r# conhecer se huma pedra he falsa , 0# verdadeira , ^ 51
Verniz para que 0 Sol naõ pas¬ se os cristaes , . 53
70 Ptfrtf wrws mármore ,
0# jaspe , . ' • 53
71 P<zm /^r > ou
mármore jaspe ado , * • • 54
72 Pte modo > ... • 55
73 P^rtf fazer hum movimento per¬ petuo . .
74 P<2r<2 /Vz£ít «<? Unho, que
se lave no fogo , • • • • 5° 7c P^zrtf fflrftfr as pedras comja-
cihdade . . • • • • 57
76 Partf os instrumentos pa¬
ra serrar 0 mármore > 0^
dr# 57
77 Espirito que dissolve as pedr as ,
por duras que sejaõ , . • 57
7^ P^zrtf calcinar , ou fundir huma folha de espada sem que faça mal á bainha , . 5^
79 Pard fundir , e vazar o fer -
ro , • . • • • • • • • 5 ^
80 Para imitar a concha sobre o
cobre , . . . • 59
8i Para imitar concha sobre o
corno , . 59
82 Para temperar 0 ferro , 60
$3 quebrar hum fen 0 grosso
como 0 braço , .
84 P/áTtf contrafazer 0 evano , 6í 8^ fazer estatuas , figuras ,
•vazos , £ outros lavores de cas~ cas de ovo , .
86 P^r^z f/Vígir mármore de côr
roxa j 0# azul , . . • • • 6:2
87 Para dar cor de bronze a toda a sorte de obras , . • • • 63
88 Par a fazer 0 alabr astro , * W2*r-
, w^/J’ branco , . . • 63
89 Pinta para escrever sobre már¬ more y . . . . 64
90 Tinta para escrever sobre pra¬ ta, sem que 'se borrem as ie-
tras , . . . • • • • * <->4
9 1 Para se naÕ queimar no chum¬ bo fundido , . 05
92 P^f/2 que 0 azeite naÕ faça fu¬ mo y \ * ^5
93 P^rtf fazer hum a torcida ,
' • ' \ • - 7
nunca se consumirá , ; . 66
94 Para contrafazer o mármore de todas as cores , * . . . , 66
95* Modo para fazer camafeos , para pôr nos anneis , e outras pe-
Cas > . 67
96' Para que hum homem , estan-
p do direito possa ter a cabeça , e os pés em alto , 69
97 Para encher hum tonel de qual¬ quer licor pela torneira , . 69
98 Para construir huma lanterna
para trazer na algibeira , sem que se possa apagar , ainda que vã rodando pelo chaõ , . . 70
99 tirar huma barca carre¬
gada do fundo da agoa , ou hum navio , . 7 1
IOQ conhecer de duas quali¬ dades de agoa , g#*/ le¬ ve sem as pezar , . . *73
101 Ptfr# furar huma taboa com
hum fundo de véla , . . 73
102 Para fazer tochas de vento ,
/<? naõ apagaÔ , por agoa nem por vento , . . . . 74
103 Outro modo de quatro pa¬ vios . . 75'
104 Para imitar hum relampago
Wt.
no apozento , l ; ; 75
fioy Segredo para fazer neve em tempo de c ar es ti a , ... 76
ioó Para conhecer í se 0 leite ttm
agoa, , . . - 77
loj ' Para que as pessoas , que es- jiverem tm hum apozento se ve- jaf feas , <? espantozas , . 77
108 Para imitar, a cor das pero-
las. Cousa nunca vista , . 78
109 Moldes parúg vazar 0 metal para fazer os espelhos côncavas , e es feri cgs, . . .... 79
110 Compoziçaõ para fazer os es -
pelhos de metal , . . . . g£
Ui /ír/f’ />»//> os ditos es¬ pelhos de metal , . . . , gz
112 Para construir hum pezo
que se possa trazer na algibei¬ ra , e peze de huvna até cincoen- t a libras, . . 3
1 13 P*ra fazer vinagre forte em
breve tempo , . . . . . gy
114 Para fazer hum lindo ouro de
Pragmatica . gy
liy Modo de dourar com ouro fi¬ no , e com pouco gasto , . , S6
116 Para tingir madeira da cêr quequizeres , . . . . . g^
1
j 17 Agoà para tingir verde , 88
1 1 8 iVrtf jazer pérolas ,
reçao naturaes , .... 88
119 /£r , ou fazer nascer flo¬ res de todas as cô-res , . . 90
120 yír/f para tingir a cera de tcdas as cores para vazar , -91
12 1 Para tingir pentes , caixas ,
£ outros lavores de osso , /><*-
recerà concha , . 92
122 Para jazer penetrar as cores
dentro das pedras , . . .92
123 Massa para fazer obras de
meio relevo . . 93
124 P/STtf pintar sobre vidro: cou¬ sa curiosa j. * • • • • 94
125” Para pintar , * esmaltar ma¬ deira , cobre latao , /<?-
âas as cores , . 9^
126 Ptfnz pintar huma estampa em miniatura , ^ parecerá p an¬ uo de linho 97
227 P^r^ f/rier ^*7» debuxo , copiar hum livro propriamen¬ te j • • • • • • • «9^
1 2 o Pj;^ ^
gem burilada em cobre , . 99
119 Ptfrtf vtr montei , estatuas , castelos . r#//w , C&v. hmna
<
redoma de vidro , . 1 . too
130 Para representar os quatro
elementos , . ioi
13 1 Para limpar os marcos dou -
rados , ou cornijas , . . . 102
132 Para dourar estatuas de re¬ levo , ou estuque , . . .102
133 Para que de huma fonte saia
fogo 5 • • • • • • «103
134 Verniz para dar ds pinturas
de panno de Unho , . 103
135 Lola para encolar mármore , ou outra obra de escultura , 104
136 Para limpar qualquer obra dourada velha em madeira , 104
137 Para escrever sobre pedra , ou
ladrilho , cujas letras senão ve- raõ até que queiras , . , 10^
138 Para que as pinturas por antigas que sejao pareçao no¬
vas , . . . 10$
139 Outro , . 106
340 Para branquear huma esta¬ tua de mármore velha , ou outra cousa de mármore , <?# pedra , 1 oó
141 Jlgoa para abrir sobre fer-
T*0<) • • • * » • • • • IO7
142 P^r^ imitar a cor de qual¬ quer metal sobre madeira ? iq8
/
143 Para encolar alabastro , 108
144 Obras , que douradas parece-
raõ de relevo , . . ♦ . . 109
145 Lacre para fechar cartas sem
fogo, . 109
146 Para fazer tinta da chi¬ na . . .110
147 Para fazer hum f os foro lumi-
nozo , . ui
148 Pós , que aonde tocao , quei-
maõ , e abrazaõ , ou f os foro a- cuto . . 1 12
149 Verniz de pulimento , . 114
1 50 Verniz negro , 0 vermelho , 1 1 4
15 1 Verniz para imitar a dou¬ rado , . . . , . . . . . . 1 1 5*
152 Verniz para pegar ouro ordi¬ nário , 0# , . . . .116
1 5*3 Verniz branco , £ todas as cores, . 1 1 6
154 Para fazer secante , . .117
157 Para encolar mármore , . 117
156 Para cór de carmezim a
todas as cores , . . . .118
157 Para fazer cór de ouro sem
ouro , . 118
178 Para que a purpnrina pareça ouro moido, . 119
159 Negro perfeito para a madei -
*
ra , . . . * . . ; . 119
i6e> Vara fazer tinta em pos , ou empedra , . 120
161 Tinta da China para sombrear ,
cuâebu&ar . . 120
162 Arte para fazer , * conhecer as cifras dos Mercadores 9 . 122
Demonstração , ' . . . 123
163 P*znz fazer papel transparen¬ te 9 como cristal , . . . .123
164 Píznz véla dure tres
mezes , . 124
Para que sahindo huma pessoa pa¬ ra fóra de caza , quando vier ache 0 jantary ou a ceiaféita . 1 24
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A Doente Fingida , e o Medico honrado ; Comedia de Goldoni, traduzida da Lin- gua Italiana na Portugueza Segunda E- diçaõ. i . Folheto, em 8. 1 8 1 7 . br. 120 Historia de Eniilia , escrita por elJa mes¬ ma. i . Folheto, em 8 . 1817.br. 12a
Evsndro , e Alcina , Pastoral de Mr. Gess- ner , traduzida do Alemaõ , em 8. 1817. br. 2^0
Celestina. Npvella Hespanhola , escrita na
!
-:v •••
tOCpUe 20
25 Pízr^? temperar 0 aço , . 20
26 Para que 0 cordovao , 0# bezer¬ ro velho pareça novo , . . 2 r
27 0 ^z<?} du»
r<? ^ fresco do
mesmo dia , ., . . ... . 2r
28 P<mz pulir , ^ limpar ouro , 0#
prat a de bordado , galões , /W~ ^ , é^í-. ...... 22
29 - Para fazer huma pedra , que
arderá na agoa , apagar-se-ha no azeite } <? estando açúcar dará muita luz , . . 22.
30 Para plant ar figueiras em cra¬
veiros , ou vasos, pequenos , que dardo fruto , . . . . 23
3 1 Para dourar sobre pergaminho 5
gu bezerro , . . . . 24
32 Para ãqr a madeira cor de xen-
t urina , ....... 24
33 Verniz âa China sobre fino , ^
34 Par# q.ue huma estampa pare¬ ça de ouro moido , . . . 2^
35" Pí?r^ pintar em miniatura so¬ bre bezerro ...... 26
36 Segredo subtilíssimo, e noblis si- sim 0 parã. endurecer as pedras , que parecer a 0 diamantes, 32
% ' 1
R
“Wh-,
>1
“ • . v- , :
J[
wtj
~ *a;
37 Verdadeiro verniz para dar aos
pdos ; ou canas , como o de In - glaterra , . 33
38 Verniz para dar sobre huma
estampa , 0// íw/nz de pa¬ pel ) • • » • • • 34
39, jP# rtf por letras de ouro , ou ou - t ros lavores sobre terra e madei¬ ra <f • • • • t • • • 34
40 fazer vélas de sebo , <7^0
paréceraõ de cera , . . . 35"
41 Para tingir bum cao de côr
;>erde , . 35"
Para escrever s • ^ palma da
\tna5 , e se ler com arte , . 36
43. Para fazer .purpurina para es¬ crever , . . . 37
44 Ptfpz fazer bum estuque , ver¬ melho , pura vazar , <r outras o- Iras , . ' . 37
45 iVr/7 dar pezo ao ouro , que pas¬ sou por agoa regia , . . . 38
46 Ptfr# pintar roupas de seda á
moda das Índias , . . * 38
47 Lacre de todas as cores para
fechar cartas . . 39
40 Para dar verniz a huma cha¬ miné j couza curioza . . 40
49 f-g.-a para destemperar as cê-
teja vermelho , e conheças que as favas estaráÕ bem vermelhas , e cal¬ cinadas ; tirarás entaÕ o crizol do fogo, e estando frio, o abrirás, e acharás as favas queimadas, ou cal¬ cinadas, e negras, como carvaó : estas moerás muito finamente, e as passarás por peneira ; depois as tor¬ na a moer com agoa commum so¬ bre a pedra ; espera que tudo se en- xogue , logo toma açúcar em pedra , e agoa de gomma (já se entende que o açúcar ha de ser desfeito na agoa de gomma) e com este banho, e os pós, tudo unido , os tornarás a moer muito bem , logo coarás tu¬ do por panno de linho; e guarda- o em vazo tapado, para o gasto; e haja tento em manipular esta com- poziçaõ , porque he do mais per¬ feito , que ha , nesta recopilaçaõ. Ser¬ ve para pintores , esculptores , e ou¬ tros debuxadores , &c.
I IU Vv. —
ts alterna-
-
s <
Arte para fazer , e conhecer as cifras dos Mercadores.
Esta adiçaõ está em pratica entre os Mercadores, que se naó valem dos numeros , e cifras correntes para si¬ nalar o preço das suas mercadorias, fazendo huma Arithmetica particu¬ lar com alguma letra do alphabe- to ; como por exemplo ; tomaõ B. O. N. E F. A. C. I. U. S. ás quaes dao o valor de cifras i. 2. 3. 4. 5*. 6. 7. 8. 9. o. e assim quando que¬ rem sinalar 11. o fazem com dois BB. e quando querem exprimir o fazem com FV. de sorte queestan-' do estes caracteres situados no primei¬ ro lugar á maõ direita , signifkaó só unidades; quando se achaó em segundo lugar, quer dizer dezena ; em terceiro lugar, centena, em quar¬ to lugar , milhar; e assim vaó prose- guindo, como na Arithmetica, em que nos valemos decifras, ou cara¬ cteres -Arábicos.
. /
Vemonò traçao.
I. 2» 3* 4* S* 7* 9* ©•
B. O. N. E. F. A, C. I. U. S,
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Exemplo ,
•/r -■ . » i
II. 12. 13. 14. 24. 2$, 36. 48. BB. BO. BN. BE. OE. OF. NA. Cl. 59. 60. 112.
FU. AO. BBO.
^ ' ' . ’ ■
162.
Para fazer papel transparente , co¬ mo cristal .
X oma oleo de nozes , ou de linha¬ ça , e outra parte de agoa clara , e hum pouco de vidio, bem moido , passado por peneira \ porás tudo a ferver em hum vazo sobre hum la¬ drilho , e o fogo baixo ; quando r.a'6 ferver mais, tira-o do fogo, por¬ que entaõ he signa! , que a agoa se tem consumido ; estando pois o azei¬ te frio, uma as vidraças de papel
» 10 »
t$ alterna-
ao sol, ou junto do fogo, e fícárao transparentes.
163.
Tara que hum a vela dure tr es me-
zes,
TPoma quatro quartas de salitre, reis de incenso, tres de enxofre, se¬ te de azeite commuffi , sete onças de cera virgem \ encorpora todos es¬ tes ingredientes , e disto faze huma véla , e em hurna redoma de vidro , cheia de agoa , a acende.
Para que sàhitido huma pessoa pa - ra fóra de caza , quando vier ache 0 jantar , ou a seia feita .
P orás a panela ao lume , e tempe¬ rada a teu gosto depois de cozida , a pezarás para ver o pezo que tem ; farás ao depois a modo de hum braço de balanÇa , e c porás á tua sarisfaçsô na chaminé com arames em lugar dc corda , e porás a pa¬ nela ao lume ccm o que quizerts
jantar, como no primeiro dia que a pezastes , e porás o pezo de hti- ma banda, ea panela da outra ban¬ da em cima do fugareiro acezo, co¬ mo balança , e o pezo ficará no ar para hir ao chaó quando se for co¬ zendo o que estiver na panela, e estan¬ do cozido se hirá levantando a pane¬ la do lume, e estará sempre quen¬ te quando se quizer comer. He pro¬ vado.
ÍNDICE
DOS
SEGREDO •?
Ia technique mj
hie se contém na II. I
:xcel-
Récepteur MF 7 Iampestj
mique 21% de haute musicalitl belle ébénisterie avec façade g| cieux par oeil magique. 0| de parcourir rapidement toutl pick-up et prise haut-parleur . pds 12 kg. Três bonne musica par une double amplification.. C30- 1 47. Pr courant alternl A crédit : 1 50 fr. à la comm;] C30-I47 bis. Pr courant contni C30-147 ter. — alterr A crédit : 1 70 fr. à la comuiéí \NTIE D’UN AN dans un embsllj •ermettant à chacun de procede'"
an,r}des-
ck-up
? mois
J50 fr.
: franco
>2 mois.
1 Modo de tirar as ' para ter muito capulho ,|49%
2 Para fazer o Bismut , i actions. nho de glasa de InglatersO.»
3 Para ter vinho , ou af no V ?raÔ sem neve , . .
4 Arte para fazer açu ca
dra , . . , . . . .
5 tingir o cristal a'. Dr...
lavrado , de todas as cor V4UII1O rUUK
6 Para fazer papel jaspe, leurs quali,'s "u,ri,iv« j
dinario , .
7' Tinta para pintar ítbr panno de hnbo , e outra:\^'™^«
&C. . . tilisable 120dé-
8. j cubes. Deux
A&ea para dourar 0 ferr quiques pour
jl t 1/ íenrées Cj^ou**
9 Para ter muita abundai. se antiparasite
^ , a 1/5 de C V
eSpargOS J e grossos y « sur courant
10 Par a fazer tinta vermelhéí “S- 1 1 Tinta verde , . . . . ílTde^ace
. env. La tem- érieure, entre 1 aintenue cons- thermostat qui tab Iit automa- mrant. r 1 10 volts.
, j2 Tinta azul, . . ; . . n
13 Tinta amarella , ... 12
14 Para escrever sobre pergami¬
nho , e se borrarem as letras , quando quizermos , ... 12
15 ver em hum apozento es¬
curo , 0 que passa na rua , ou na praça . . . 1 2
36 /wtf pczar 0 fumo , 14
17 Prfr# tomar muita abundancia de passaros gordos , e 77/vdJ : fo- mo corvos , ^ outros semelhan¬ tes . . 15
;8 fazer tinta de ouro , .rm
0^7*0, . 16
19 fazer tinta de cor de pra¬ ta , jrw prata , . . . . ió
20 Ptfnz imitar a raiz da noguei¬
ra sobre todo 0 genero de madei¬ ra ......... 17
21 Modo de forçar huma oliveira
velha para que dê fruto abun¬ dante , . . . 18
22 Para fazer tussir a todos , os
que estão em hum apozento , 19
23 Para ver as estrellas em todas
as horas do dia , ... 19
24 Ptfrtf <7^0 huma faca traga a si outra sem que alguém lhe
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